Para Mudar o Mundo

09/11/2009

O dia em que o muro caiu

Por Valmir Sarmento

Tinha 12 anos de idade quando vi na televisão que o muro de Berlim estava indo ao chão. Não entendia muito sobre geo-política, mas percebi que estava presenciando um momento histórico. Via pessoas com marretas golpeando o concreto enquanto outras subiam no muro para festejar a reunificação das duas Alemanhas. Sabia que aquele acontecimento representava o enfraquecimento do bloco socialista que até aquela época me parecia ser um sistema econômico no auge do seu poderio e hegemonia. Jamais imaginaria que aquilo era apenas o início da ruína do socialismo na Alemanha e na União Soviética.

É interessante como o fruto das idéias de Marx e Engels levaram governos a dividir países, levando à separação de inúmeras famílias. Por isso a queda do muro teve um valor especial. Mexia nos sentimentos e nos valores familiares da sociedade. Parecia ser um final feliz para uma história triste que durava décadas.

As cercas não são problemas restritos ao socialismo. Estão pulverizados por  toda a humanidade. Estamos sempre construindo barreiras de separação. Estamos sempre nos acercando daqueles se identificam com nossas opiniões e afastando pessoas que pensam de maneira diferente de nós, a fim de não encontrarmos resistências para nossas teorias e para nossa maneira de viver.

Os muros estão todo tempo permeando nossa sociedade, seja física ou metaforicamente. Foram projetados para proteger, entretanto, também dificultam a ventilação dos ares e a abrangência da visão.

Para que caiam, é preciso força de vontade. Somente pessoas de coragem podem desafiar a necessidade dos muros. Não basta apenas querer ver as muralhas irem ao chão, é preciso pegar as marretas para ferir a frieza do concreto da separação.

Foi isso que Yeshua (Jesus)  fez. Ele quebrou a parede que separava judeus e gentios. Através de seu sangue possibilitou que ambos pudessem ser um em seu corpo. Nele, judeus e gentios podem desfrutar dos benefícios da salvação. Isso porque ensinou que para ser salvo todos os esforços humanos não são suficientes. Resta apenas reconhecer a incapacidade humana de alcançar a vida eterna e receber a graça que ele garantiu para todos os que crêem e o recebem como senhor e salvador.

Dessa forma, o Messias descontruiu outra muralha: a que separava o homem de Deus. Sendo ele o cordeiro que levou sobre si, como expiação, o pecado do homem, cumprindo os requisitos do holocausto pelo pecado estabelecidos na Lei, possibilitando, assim, ao homem que se deixe substituir diante da condenação e da morte.

Esse era o papel dos cordeiros e novilhos da Velha Aliança. Ineficaz pela temporalidade limitada de vida dos pequenos animais. Yeshua substituiu o sacrifício anual do templo por um, cujo efeito durará por toda eternidade. Ele entregou a si mesmo como cordeiro de Deus nas mãos do sacerdote para uma oferta de substituição eterna: sua vida em substituição à humanidade.

A cada momento, portanto, cada homem pode quebrar essa muralha espiritual e unir-se ao Messias, às demais pessoas que se uniram a Ele e a YHWH. Essa é principal revolução que um homem pode experimentar em sua vida.  

Bendito seja o Eterno, bendito seja o Cordeiro Yeshua!

05/11/2009

Fábrica de milagres na TV

 

Por Valmir Sarmento

Basta dar uma olhada nos canais de TV no final da noite e eles estarão lá. Os “programas de auditório” evangélicos com filas de pessoas, com exames e fotos na mão, querendo contar seus testemunhos de milagres. Pessoas que receberam cura de câncer, AIDS, diabetes, enfim, as doenças mais diversas que se pode imaginar. Horas e mais horas de programação dando ênfase nas curas divinas e no poder da fé para alcançar o sobrenatural.

Estamos vivendo uma época de inversões de valores e até mesmo essa enxurrada de prodígios não faz com que essa lógica seja diferente.

O problema é que estamos valorizando o apagar do incêndio e esquecendo do projeto de D’us para prevenção da saúde do homem. O Eterno o criou para viver plenamente e para que as doenças não o alcancem.

Esta afirmativa é comprovada pelas sagradas escrituras:

E o Senhor desviará de ti toda enfermidade; não porá sobre ti nenhuma das más doenças dos egípcios, que bem conheces; no entanto as porás sobre todos os que te odiarem. Dt. 7:15

Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão (…) O Senhor te ferirá com a tísica e com a febre, com a inflamação, com o calor forte, com a seca, com crestamento e com ferrugem, que te perseguirão até que pereças Dt. 28:15 e 22

O projeto de D’us é muito mais que curar as pessoas de suas enfermidades. Seu desejo é que as pessoas endireitem suas veredas a fim de que as moléstias não alcancem aqueles que obedecem seus mandamentos.

Entretanto, contar que a praga veio, quase destruiu a pessoa e, após a oração forte, foi embora chama mais atenção do que apenas dizer que através da obediência se evitou adquirir certas enfermidades. Imagine como seria se as pessoas fizessem filas para contar que não ficaram doentes simplesmente pelo fato de observar os mandamentos da Palavra. Mas o drama do tipo padrão novela mexicana, da senhora que sofreu com uma enfermidade, encontrou a verdade através da pregação do homem de Deus e foi curada dá mais IBOPE.

Primeiramente, porque obedecer mandamentos e regras está meio fora de moda. Para nossa sociedade, o homem é inteligente o suficiente para decidir seus caminhos e planejar seu sucesso. Ele deve avaliar o que deve ou não fazer. Deve evitar praticar aquilo que sentir que é errado e procurar ter atitudes apenas que o que o façam sentir bem.

Segundo, porque a obediência à Lei do Senhor não é um fator de libertação tão impactante, publicitariamente falando, quanto uma oração forte, na qual os demônios saem correndo e o chão “treme”.

Dessa forma, o “apagar de incêndios” acaba sendo mais vantajoso do que investir em um ensino profundo e sério das escrituras na TV.

O Brasil poderia aprender que, para receber a cura, ninguém precisa correr atrás de homens famosos, viajando quilômetros para receber um clamor fervoroso de cura. As pessoas poderiam ser ensinadas que quem perdoa sara sua alma. Quem honra os pais tem mais longevidade. Quem respeita os idosos ganha sabedoria. Quem não se prostitui poupa seu corpo das DST’s. Quem observa o shabat recebe alívio de suas fadigas. Quem se disciplina conforme os estatutos alimentares da bíblia ganha em saúde. Quem celebra as festas bíblicas tem uma grande proteção contra a depressão. Quem cuida de seu corpo (templo do Espírito) com exercícios físicos e comendo corretamente tem muito mais qualidade de vida.

Mas os líderes religiosos brasileiros parecem preferir que as pragas se acumulem para utilizar a oração como escape, a fim de gerar uma cura extraoridinária para os males ocasionados pelo próprio modo de vida errado das pessoas. Há de se enfatizar que nem todas as pessoas que peregrinam atrás dos “milagreiros” encontram a cura desejada e as que recebem possivelmente continuarão nas mesmas práticas acreditando que, quando a doença voltar, é só ter fé e orar.

O ciclo está formado: práticas não saudáveis levam às doenças. Estas levam a pessoa a correr atrás de um “grande homem de Deus” que ore com poder para que a cure. A cura dá a sensação de que agora se está bem com Deus, e continua-se no mesmo estilo de vida equivocado.

Para quebrar o ciclo, somente a Palavra do D’us de Israel, que nunca mudou, é eficaz.  Somente obedecendo-O pode-se alcançar a benção verdadeira, capaz de gerar e preservar a vida.

Pelo que o Senhor nos ordenou que observássemos todos estes estatutos, que temêssemos o Senhor nosso Deus, para o nosso bem em todo o tempo, a fim de que ele nos preservasse em vida, assim como hoje se vê. Dt.6:24

03/11/2009

Líderes de êxito e adoradores extravagantes desbotados

 

Por Valmir Sarmento

Os últimos 10 anos da história da igreja evangélica brasileira foram muito importantes para nos ensinar lições valiosas.

Observamos surgir o movimento celular G 12 e sua palavra desafiadora em ganhar, consolidar, treinar e enviar os crentes para alcançar pessoas para Cristo. Fomos impactados com palavras de grandes líderes afirmando que todos poderiam se tornar grandes conquistadores. Todos poderiam se tornar um dos 12, dos 144 ou dos 1728. Os crentes que apenas freqüentavam os cultos semanais foram “cutucados” e encorajados a ter discípulos, a abrir sua célula e se tornar um evangelista ousado. A preparação destes conquistadores era simples: participar da escola de líderes, que só era permitido aos que passavam pelo “Encontro com Deus”.

O Encontro era um retiro no qual o participante passava três dias ouvindo palestras e refletindo sobre sua vida. Após o início do boom de surgimento e crescimento de células e da realização dos encontros, o evangelismo se tornou o grande foco desse grupo de igrejas que compraram a idéia do G12.

Algum tempo depois, surgiu outro mover. Um movimento voltado para o louvor. Era a adoração extravagante que nos motivava a cantar, pular e gritar não mais de acordo com comandos de um líder, mas conforme o que sentíamos no espírito. Muitos ficavam de costa para o povo e de frente para a parede, cantando e deixando-se levar por um ambiente musical, envolto com o shofar, com palavras e atos proféticos, que não tinham hora para acabar. A maior parte das igrejas que adotaram o G12 vestiu a camisa da adoração extravagante.

Muitos irmãos “velhos de guerra” misturados aos novos convertidos viveram intensamente estes dois momentos. Trabalharam pesado em favor das células e foram  influenciados pelo movimento chamado de adoração extravagante.

Hoje, se analisarmos os resultados alcançados nesses dez anos, perceberemos que muitos dos chamados líderes de êxito e adoradores extravagantes estão, hoje, desviados. Ganharam inúmeras pessoas para Cristo e chegaram ao santíssimo lugar de adoração, mas perderam suas próprias vidas.

O problema, talvez, esteja no desejo, tanto por parte dos que entram na igreja quanto por parte dos líderes, de que as pessoas amadureçam, cresçam e se tornem espirituais em um processo acelerado, no qual o novo convertido pode em pouco tempo tornar-se um expoente na vida espiritual, podendo exercer certa liderança. As experiências sobrenaturais da adoração poderiam servir para dar legalidade a esse crescimento espiritual instantâneo.

É saudável que um neófito busque seu crescimento espiritual. No entanto, acelerar o processo com base em seu desempenho evangelístico e no grau de experiências com os aspectos sobrenaturais da adoração pode deformar seu caráter podendo levá-lo a desenvolver posturas insustentáveis ou mesmo a aparências sem fundamento no cotidiano de uma vida adestrada nas Escrituras. Por isso, um neo-convertido é aconselhado a não desenvolver liderança na Igreja, segundo Paulo.

Talvez tenhamos nos esquecido de alguns princípios da Palavra de Deus, em nome da propagação daquilo que temos como “a visão de Deus para os nossos dias”. Além de colocar neófitos em posição de liderança, cobramos os “ingressos” para que as pessoas participassem dos “encontros”, negligenciando o “de graça recebestes, de graça dai”. Preocupamo-nos em não quebrar a cadeia de autoridade, mas nos esquecemos que essa submissão vai até o limite da submissão ao Senhor. Alguns se tornaram tão submissos à liderança que se desviaram juntamente com seus discipuladores.

Quando nos voltamos para o modo de vida estabelecido pela Palavra, não há muita novidade nas estratégias básicas para um discipulado bíblico sério e eficaz. Talvez os inexperientes esperassem que uma nova ”visão” lhes dariam uma maneira inovadora de agradar a Deus e de servi-lO. Cedo ou tarde descobriram a rotina da religião.

oracao1O evangelizar deve ser conseqüência do “antigo” modo de vida estabelecido na Palavra. Não podemos nos motivar a falar das boas novas ao mundo para subir em topos de pirâmides de liderança, ou mesmo para mostrarmos crescimentos exuberantes a quem quer que seja. Devemos pregar por obediência, por amor aos homens e pelo desejo de ver regressar o Messias. Da mesma forma, o adorar a Deus. A gratidão e o louvor devem ser feitos sem esperar arrepios em troca, ou sem esperar ouvir coros angelicais ou aparições sobrenaturais. Se aparecerem, louvado seja o Eterno. Mas o sobrenatural não pode tirar de mim a simplicidade e a vontade de adorar em todo tempo, até mesmo com uma simples oração.

O viver diário em obediência, talvez até sem grandes expectativas, é uma necessidade urgente da igreja do nosso século. A surpresa que podemos descobrir é que a simplicidade e a humildade de um “Pai nosso” diário podem revelar riquezas profundas. Pode, inclusive, adestrar melhor que os efeitos de um mega espetáculo religioso semanal. O extraordinário talvez emocione e motive, mas a obediência se aprende apenas pelo viver diário focado na submissão e no serviço a Deus e aos irmãos.

27/10/2009

O resgate da nossa herança judaica

 Por Valmir Sarmento

 Há muitos anos, vejo pessoas na igreja pesquisando suas origens para saber se tem ascendência judaica. É uma moda que de vez em quando vai e vem em alguns círculos religiosos. Sempre achei isso uma tolice. Não entendia como esta informação poderia mudar a vida de alguém, além de jamais imaginar que minha família tivesse qualquer tipo de herança judaica.

No ano de 2004, por seu próprio interesse, meu irmão fez uma pesquisa sobre nossas origens familiares. Não foi preciso investigar muito para encontrar as primeiras evidências na casa de nossos próprios pais. Como era costume de nossos avós maternos não comerem carne de porco, sempre fomos instruídos a evitar esse tipo de carne. Nossa mãe sempre dizia que esse “alimento” não faria bem para nós. Haveria lógica nesse costume se fossemos descendentes de adventistas, mas não éramos. Depois dessa evidência, surgiram muitas outras que reforçaram a tese de que éramos descendentes de judeus. Ele descobriu, por exemplo, que nossa família, Sarmento originária do Recife, estava registrada como uma das famílias vinculadas à sinagoga da cidade. Nossos avôs e bisavôs ainda mantinham vínculo com os judeus e guardavam alguns costumes religiosos.

Eu não pesquisei minha herança judaica. Ela surgiu diante de mim e me alcançou. E aquilo ao qual tinha certa aversão, o interesse pelo povo judeu, foi se transformando em uma curiosidade, até virar uma “paixão”, e hoje se tornou um verdadeiro amor.

Hoje percebo como é difícil ser um judeu crente em Yeshua (Jesus) no contexto religioso de nossa época. Além de não haver muito espaço para os judeus, há resistências tanto da comunidade judaica, quanto da comunidade cristã. Mas resistimos firmes. Essa firmeza não vem por uma teimosia cega de amor por Israel, de forma quase que nepotista ou corporativista, e sim pela descoberta diária de que a lógica bíblica e da fé cristã, a qual eu sempre defendi com tanto amor, só tem plenitude espiritual e racional na lógica judaica do primeiro século. Negar isso não seria só negar um pouco da história de meus antepassados, mas seria, sobretudo, negar o sentido da própria Palavra de Deus.

Continuo, hoje, achando estranho, de um certo modo, que as pessoas fiquem pesquisando seus antepassados israelitas. É que não entendo por que algumas pessoas pesquisam  suas origens judaicas, sem a disposição em guardar os mandamentos do Senhor conforme a Torá dada ao povo de Israel. Dessa maneira, entendo que melhor seria não investigar origens. Pois não há sentido em saber que se é judeu e continuar vivendo como um gentio.

Hoje, como um judeu de coração, sonho em contribuir de alguma maneira para restaurar a igreja aos moldes do que ela era no primeiro século: judeus e gentios juntos no Messias. Apesar das dificuldades, eu e meus familiares não estamos sozinhos. Há muitos descendentes de judeus descobrindo sua herança. Há também, gentios que estão lutando para ver a igreja voltando a suas raízes. Além disso, há algumas organizações sérias que nos tem auxiliado na compreensão dessa nova dimensão, como a congregação do Ministério Ensinando de Sião de Belo Horizonte, cujos líderes tem nos dado imenso suporte e apoio.

22/10/2009

O Adonai Echad e os adonais errados

Por Valmir Sarmento

 שמע ישראל י-ה-ו-ה אלקינו י-ה-ו-ה אחד

Shemá Yisrael Ad-nai Elochêinu Ad-nai Echad – Escuta ó Israel, Ad-nai nosso D-us é Um. (Devarim / Deuteronómio 6:4-9)

Somos cerca de seis bilhões e meio de pessoas no mundo hoje, distribuídos em várias nações, línguas, tribos, raças e crenças. Milhares de deuses tem sido idolatrados em meio aos povos. O politeísmo tem resistido firme e, até mesmo, ressurgido através da revalorização de antigas religiões como a crença grega e seus deuses do olimpo.

Mas a mensagem de Abraão ao mundo continua viva: há um só D’us, criador dos céus da Terra e do Mar. Ele é chamado Adonai Echad (lê-se errad), em hebraico, único Senhor. Seus descendentes, físicos e espirituais, herdaram essa missão, devendo ensinar o monoteísmo a toda a humanidade.

Não há unidade como a do Senhor. Seu Filho Yeshua, apesar de ser a expressão exata de YHWH, não permite que se apregoe qualquer divisão na identidade de seu Pai. Pelo contrário, Ele reafirma Sua unicidade para o escriba que lhe perguntou o principal dos mandamentos:

E Yeshua lhe respondeu, fazendo referência ao Shemá Israel de Deut. 6:4-9: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é Um. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. Mc 12:29

Aliás, é recorrente em toda a bíblia que YHWH é um.

Todavia para nós há um Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele. I Co 8:6

Visto que Deus é um , que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão. Rm 3:30

Ora, o medianeiro não o é de um , mas Deus é um. Gl 3:20

Um Senhor, uma fé, um batismo; Um Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós. Ef. 4:5 e 6

Porque há um Deus, e um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. I Tm 2:5

Tu crês que há um Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Tg 2:19

YHWH é, portanto, uno. Qualquer criação de um deus que não seja Ele é politeísmo. Crer em um Deus que difere de seus atributos e santidade é criar um outro deus. E se formos pensar assim, muitos que dizem crer no D’us de Israel, na verdade, tem enveredado pelo caminho do politeísmo.

Mas a voz de Abraão continua ressoando sobre o planeta, chamando os homens a reconhecerem o único YHWH, criador dos céus, da terra e do mar. Que toda a Terra se prostre para reconhecê-lO como Deus que é um, que amou o mundo e que enviou seu único fílho para nos salvar.

21/10/2009

O que é e para que serve a Glória de Deus?

por Valmir Sarmento

 

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Rm 3:23

 

O homem foi criado por D’us para viver em Glória. O fato de o pecado ter destituído o homem da glória indica que antes do pecado Adão vivia em glória constante. Nela, o homem se movia, se alimentava, se relacionava e vivia em todos os aspectos de seu ser. A glória é um estado no qual o homem pode estar em plenitude. Decair da glória nos fez conhecer a morte, as doenças, crises, conflitos e desgraças.

A glória do Eterno não encherá o homem para que este apenas tenha uma experiência sentimental no qual poderá extravasar suas emoções cantando, pulando, gritando ou chorando. A glória também não vem para que a Terra estremeça e os montes fumeguem. Creio que isso acontece por causa da queda do homem e da degradação da natureza (comparada ao padrões estabelecidos no Éden). O status decaído do homem e da natureza nos fez “estranhar” a Glória. Por isso, diante dela, os montes não resistem e os homens morrem. Por isso, também, tanto preparo do sumo sacerdote, em Yom Kipur, para entrar no Santo dos Santos. A Glória tem hoje um efeito radioativo sobre nós, capaz de nos destruir instantaneamente. Talvez por isso, este nosso corpo se corromperá para sermos revestidos de um corpo incorruptível em glória.  

Apesar disso, a Glória de D’us está já disponível hoje. Em Yeshua HaMashiach é possível à humanidade retornar à glória. Penso que não na mesma intensidade do que viveremos no porvir, mas ela está acessível em uma quantidade adequada para (sobre)vivermos neste corpo mortal. Sua presença em nós hoje não visa nossa extravagância emotiva ou a manifestação de ocorrências sobrenaturais. Ela nos é enviada para transformação. Ela continua gerando morte. Entretanto, podemos através dela “matar” nosso velho homem e destruir a corrupção que permeia a natureza. Enfim, a Glória está disponível para transformarmos o mundo, para manifestarmos o Reino do Messias em amor e para mudarmos nosso interior, vencendo nossas más tendências.

Qualquer que seja o significado de Glória, ela não foi feita para a experimentarmos esporadicamente em uma reunião de oração, em um encontro de louvor ou em um acapamento. Ela está disponível em todo o tempo e lugar. Ela está acima de nossas emoções ou experiências. É possível sermos transformados por D’us através dela, à semelhança de seu filho Yeshua, para estabelecer o Reino, a justiça, o amor e a misericórdia divina nesta Terra, aproximando o tempo da volta do Messias Yeshua.

20/10/2009

… E as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja

Diocese dos EUA pede falência devido a casos de abuso sexual

Da BBC Brasil

Uma diocese católica do Estado americano de Delaware entrou com pedido de falência na noite de domingo na véspera de um julgamento sobre abusos sexuais cometidos por padres.

A medida adia automaticamente o julgamento, que estava previsto para esta segunda-feira (19/10). O bispo da diocese de Wilmington, que abrange os Estados de Delaware e Maryland, disse que o pedido de falência seria a melhor forma de beneficiar todas as vítimas, mas a decisão foi criticada pelo advogado que acusa a instituição religiosa.

O bispo Francis Malooly argumenta, em um texto publicado no site da diocese na internet, que as negociações da Igreja com oito vítimas de abuso sexual fracassaram.

‘Dolorosa’
Caso eles ganhassem o processo nesta segunda-feira, a quantia pedida deixaria a diocese sem recursos para pagar outras 133 pessoas que têm processos semelhantes contra a instituição.

“Esta é uma decisão dolorosa, uma que eu esperei e rezei para que nunca tivesse que fazer”, disse Malooly, no texto.
“Entrar com um pedido no Capítulo 11 [da lei de falência] é a melhor oportunidade, dados os recursos limitados, para dar o tratamento mais justo possível a todas as vítimas de abuso sexual por padres da nossa diocese.”

Para o advogado Thomas Neuberger, que representa 88 vítimas, a medida foi uma forma desesperada da diocese para impedir que a verdade fosse revelada, já que a Igreja teria de apresentar documentos às autoridades durante o julgamento.

“Este pedido é o mais recente e triste capítulo na história de décadas de acobertamento destes crimes condenáveis para manter em segredo a responsabilidade e cumplicidade do abuso de centenas de crianças católicas”, disse Neuberger, em nota à imprensa.

Wilmington é a sétima diocese americana a pedir falência devido a prejuízos provocados por escândalos sexuais. A primeira a fazê-lo foi a arquidiocese de Boston, em 2002.

Até agora, a diocese pagou US$ 6,2 milhões a vítimas de abusos. O maior pagamento do tipo até hoje foi feito pela arquidiocese de Los Angeles, que em julho de 2007 desembolsou US$ 660 milhões com 508 vítimas.

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… E as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja
Por Valmir Sarmento

Apesar de não ser católico, fico triste em receber esta notícia. A igreja está falindo por não conseguir disciplinar a sexualidade de seus líderes. A sensualidade do mundo tem penetrado a igreja de tal forma que os sacerdotes católicos não tem conseguido abafar os casos de pedofilia e escândalos sexuais. Se isso acontece aos sacerdotes, imagine as quantas andam os demais religiosos.

Longe da discussão sobre a obrigatoriedade do celibato dos padres da igreja romana, percebo que esta problemática passa pela questão da queda dos padrões morais da sociedade. A queda dos que deveriam estar firme segurando os muros morais de nossa época significa que não somente os católicos desfalecem, mas toda a sociedade. Perdem todos os que amam a decência e a moralidade e ganham a imoralidade e os desvios dos padrões sexuais. Isso atinge pessoas de todas as nações e crenças. Isso atinge indiretamente as demais religiões.

É por isso que peço a D’us que restaure os muros morais desses líderes religiosos (não todos, pois sei que há líderes católicos cuja reputação é ilibada). E por isso também repudio qualquer tipo de “comemoração” por outra religião, como que alegando a ruína do império católico. Não é assim que poderemos influenciar e restaurar o mundo e não é assim que veremos os povos se rendendo ao único D’us de Israel.  

RESTAURAÇÃO: É disso que a Igreja e o mundo precisam!

19/10/2009

Músicas ao vento

http://musicianblue.blog.uol.com.br/

Por Valmir Sarmento

Participo do ministério de louvor da minha igreja há 16 anos (…é que eu comecei muito cedo, rs). O que muito me chamou atenção em todos estes anos é como nossos cânticos são extremamente rotativos. Cada vez mais novas músicas entram em nossos repertórios, mas rapidamente caem no esquecimento. Algumas duram anos, outras, meses, outras apenas algumas semanas, e ainda, há aquelas que cantamos uma única vez.

Como ministro de louvor, reconheço que eu mesmo já ensinei músicas para a congregação que nunca voltei a cantá-las. Eu tenho meus motivos. Passo a explicitá-los:

Há músicas que não são congregacionais¹. E há algumas músicas que apenas cantando com a igreja é que se percebe sua “incongregacionalidade”. Isso é muito comum com músicas com tons difíceis, cuja amplitude da região vocálica seja de difícil acompanhamento pelas vozes da congregação. Percebi várias vezes que, por mais que force a congregação a acompanhar uma música, pode ser que ela não venha a ser cantada em coro em máxima potência pela igreja apenas por causa da mecânica da composição da música, envolvendo critérios como tonalidade, ritmo e melodia.

Há músicas congregacionais que simplesmente são esquecidas. Diante do turbilhão de novas músicas no “mercado”, acontece de o ministério constantemente renovar seu repertório e, com isso, esquecer de cantar alguns bons cânticos antigos. Com o tempo a música cai no esquecimento e para cantá-los novamente torna-se necessário reensiná-los à congregação. Muitas vezes, prioriza-se ensinar novos cânticos a relembrar os clássicos.

Há músicas cuja mensagem não combina mais com o entendimento doutrinário da comunidade. É preciso observar as mensagens cantadas em nossas igrejas e sua teologia. Com os anos, fomos crescendo no entendimento da palavra e isso fez com que eu mesmo entendesse algumas músicas como inadequadas doutrinariamente. Entendo que o ministro de louvor é uma dos principais responsáveis por adequar seu repertório, não somente à teologia de sua igreja, como também ao seu próprio entendimento bíblico, evitando cantar realidade com as quais não concorda. Diante da dúvida, é bom consultar a opinião de seu pastor.

 ***

1 – O fato de não ser congregacional não significa que a música seja ruim. Muitas músicas não congregacionais são belas e trazem profundas mensagens bíblicas. O fato de considerá-las próprias ou impróprias para a congregação está na facilidade com que a congregação consegue acompanhá-la em coro.

16/10/2009

A supervalorização do “legal” e do novo em nossos dias

Por Valmir Sarmento

Nós brasileiros temos mania de festa. Transformamos tudo em uma comemoração semelhante aos gritos de uma torcida de futebol. Cerimônias formais se transformaram, nestas terras, em um verdadeiro show de entretenimento. Formaturas, casamentos e até mesmo funerais estão cada vez mais se adequando aos moldes de uma reunião que valoriza os padrões da informalidade e da espontaneidade.

Acostumamo-nos a isso.

A informalidade e o entretenimento chegaram até mesmo aos serviços religiosos. O culto e a missa se modificaram com o tempo, e estão cada vez mais “legais”. Todo esforço é valido para esse fim. Modernizaram os instrumentos, o coral foi alterado ou abolido, as músicas ganharam ritmos atuais, os temas das pregações foram se assemelhando aos discursos psicológicos modernos e a liturgia do culto foi se assemelhando aos shows de auditório dos programas de TV.

Os estilos clássicos foram sendo reformulados. Músicas antigas receberam uma “nova roupagem”. O velho ficou com jeito de novo. Tudo para agradar ao público jovem, maioria da população brasileira, e com vistas ao crescimento eclesiástico.

Neste contexto, vamos nos esquecendo de conviver com o arcaico tal como ele é, sem querer adequá-lo ao nosso “modus vivendi” da cultura pós-moderna. Essa nossa cultura, aliás, detesta o velho. Estamos cada vez mais atrás do que é novo. Pessoas correm atrás de conservar a juventude a qualquer custo. Idosos são esquecidos nos asilos e deixados para trás nas paradas de ônibus.

O problema é que não há muita novidade no Evangelho. A boa nova de Jesus tem apenas 2000 aninhos de idade. Claro que as misericórdias do Senhor se renovam a cada dia, mas não há muita inovação no modo de viver a vida em Cristo. Ser velho para Deus não é sinônimo de ser ruim.

 Poesia Yeats Velhice Será que ainda há lugar, ao menos, em nossas igrejas para o antigo?

Precisamos retornar aos caminhos antigos. Isso significa redescobrir valores essenciais esquecidos por nossa geração, como honrar os mais idosos, ouvi-los, respeitar alguns costumes esquecidos e resgatar um louvor no qual jovens e anciãos podem celebrar juntos.

Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele. Jeremias 6:16

15/10/2009

Por um Louvor Didático em nossos dias

Por Valmir Sarmento

A fé não vem por ouvir uma bela melodia, recheada por uma profunda e emotiva mensagem poética. A menos que traga em sua letra a Palavra de D’us, a música apenas é capaz de gerar bons (ou maus, dependendo da música) sentimentos. Não há outro caminho para gerar fé genuína nas pessoas, se não através da Palavra. Em uma geração que está cada vez mais valorizando interpretações equivocadas da Palavra e que necessita urgentemente de restauração, essa é uma necessidade gritante: entoar canções que restaurem na mente das pessoas o texto das sagradas escrituras.

Entendendo-se fé genuína no seu contexto judaico, amalgama sócio-cultural na qual a bíblia foi escrita, entenderemos um sentido diferente daquele amplamente divulgado pelo senso comum religioso de nossa época. Fé, em hebraico emuná, tem o sentido de fidelidade ao Senhor. O termo não está relacionado com essa força de vontade mental positiva em acreditar em que meus problemas vão sumir, como vemos por aí, mas em permanecer fiel ao Senhor e a seus mandamentos.

E se pararmos para pensar, obedecer a Deus, em meio ao mundo em que vivemos, restringindo-se em atos, pensamentos e palavras que O desagradam já é um sinal claro de que acreditamos no Senhor que nos deu a sua Lei. Somente a bíblia é capaz de nos ensinar os caminhos aos quais devemos ser fiéis. Por isso, a fé vem pelo ouvir da Palavra de Deus.

Há um instrumento muito eficaz neste sentido: a música. Quem dera os compositores brasileiros entendessem melhor essa realidade. Não há nada que a igreja precise mais em nossos dias do que cantar a Palavra. Esse é meu desafio como compositor e oro para que seja o mesmo dos meus colegas espalhados por este país.

O desafio, porém, é um pouco maior. Não basta escrever tais músicas. É difícil propagá-las diante da busca frenética por músicas que falam da vitória, da prosperidade, do milagre e do avivamento. Não que o texto bíblico não fale dessas realidades, mas é preciso que desenvolvamos um repertório de músicas didáticas, imparcial e livre do viés da teologia da prosperidade contemporânea.

Taí um bom nome para um movimento saudável que gostaria de ver se levantar no Brasil e no mundo (como sempre gostamos de nomes para os modismos que nos aparecem como louvor isso, adoração aquilo e por aí vai.): Louvor e Adoração com cânticos didáticos. Aliás, nada mais conveniente, já que hoje estamos comemorando o dia do professor.

Nosso povo precisa aprender de bíblia. Ela anda muito esquecida nas gavetas de muitos dos nossos músicos artistas e pastores estrelas atualmente. Pergunte para um adolescente da sua igreja se sabe de cor João 3:16 e poderá conferir o que estou falando. Todos já estão carecas de saber que vai chover, que o milagre já chegou e que tomo posse da promessa. Mas precisamos mesmo é de cantar a Palavra, que gera a fé genuína, que independe se vencemos ou perdemos, ou se o milagre aconteceu ou não. Somente assim se levará o povo a crescer e desenvolver seu conhecimento no Senhor. Somente assim retiraremos a igreja brasileira das falácias das falsas doutrinas. Somente assim veremos a restauração da igreja em nossos dias.

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