
Por Valmir Sarmento
Basta dar uma olhada nos canais de TV no final da noite e eles estarão lá. Os “programas de auditório” evangélicos com filas de pessoas, com exames e fotos na mão, querendo contar seus testemunhos de milagres. Pessoas que receberam cura de câncer, AIDS, diabetes, enfim, as doenças mais diversas que se pode imaginar. Horas e mais horas de programação dando ênfase nas curas divinas e no poder da fé para alcançar o sobrenatural.
Estamos vivendo uma época de inversões de valores e até mesmo essa enxurrada de prodígios não faz com que essa lógica seja diferente.
O problema é que estamos valorizando o apagar do incêndio e esquecendo do projeto de D’us para prevenção da saúde do homem. O Eterno o criou para viver plenamente e para que as doenças não o alcancem.
Esta afirmativa é comprovada pelas sagradas escrituras:
E o Senhor desviará de ti toda enfermidade; não porá sobre ti nenhuma das más doenças dos egípcios, que bem conheces; no entanto as porás sobre todos os que te odiarem. Dt. 7:15
Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão (…) O Senhor te ferirá com a tísica e com a febre, com a inflamação, com o calor forte, com a seca, com crestamento e com ferrugem, que te perseguirão até que pereças Dt. 28:15 e 22
O projeto de D’us é muito mais que curar as pessoas de suas enfermidades. Seu desejo é que as pessoas endireitem suas veredas a fim de que as moléstias não alcancem aqueles que obedecem seus mandamentos.
Entretanto, contar que a praga veio, quase destruiu a pessoa e, após a oração forte, foi embora chama mais atenção do que apenas dizer que através da obediência se evitou adquirir certas enfermidades. Imagine como seria se as pessoas fizessem filas para contar que não ficaram doentes simplesmente pelo fato de observar os mandamentos da Palavra. Mas o drama do tipo padrão novela mexicana, da senhora que sofreu com uma enfermidade, encontrou a verdade através da pregação do homem de Deus e foi curada dá mais IBOPE.
Primeiramente, porque obedecer mandamentos e regras está meio fora de moda. Para nossa sociedade, o homem é inteligente o suficiente para decidir seus caminhos e planejar seu sucesso. Ele deve avaliar o que deve ou não fazer. Deve evitar praticar aquilo que sentir que é errado e procurar fazer o que o faz sentir bem.
Segundo, porque a obediência à Lei do Senhor não é um fator de libertação tão impactante, publicitariamente falando, quanto uma oração forte, na qual os demônios saem correndo e o chão “treme”.
Dessa forma, o “apagar de incêndios” acaba sendo mais vantajoso do que investir em um ensino profundo e sério das escrituras na TV.
O Brasil poderia aprender que, para receber a cura, ninguém precisa correr atrás de homens famosos, viajando quilômetros para receber um clamor fervoroso de cura. As pessoas poderiam ser ensinadas que quem perdoa sara sua alma. Quem honra os pais tem mais longevidade. Quem respeita os idosos ganha sabedoria. Quem não se prostitui poupa seu corpo das DST’s. Quem observa o shabat recebe alívio de suas fadigas. Quem se disciplina conforme os estatutos alimentares da bíblia ganha em saúde. Quem celebra as festas bíblicas tem uma grande proteção contra a depressão. Quem cuida de seu corpo (templo do Espírito) com exercícios físicos e comendo corretamente tem muito mais qualidade de vida.
Mas os líderes religiosos brasileiros parecem preferir que as pragas se acumulem para utilizar a oração como escape, a fim de gerar uma cura extraoridinária para os males ocasionados pelo próprio modo de vida errado das pessoas. Há de se enfatizar que nem todas recebem a cura e as que recebem possivelmente continuarão nas mesmas práticas acreditando que, quando a doença voltar, é só ter fé e orar.
O ciclo está formado: práticas não saudáveis levam à doença. As doenças levam a pessoa a correr atrás de um “grande homem de Deus” que ore com poder para que a cure. A cura dá a sensação de que agora se está bem com Deus, e continua-se no mesmo estilo de vida.
Para quebrar o ciclo, somente a Palavra do D’us de Israel que nunca mudou é eficaz. Somente obedecendo-O pode-se alcançar a benção verdadeira, capaz de gerar e preservar a vida.
Pelo que o Senhor nos ordenou que observássemos todos estes estatutos, que temêssemos o Senhor nosso Deus, para o nosso bem em todo o tempo, a fim de que ele nos preservasse em vida, assim como hoje se vê. Dt.6:24

O evangelizar deve ser conseqüência do “antigo” modo de vida estabelecido na Palavra. Não podemos nos motivar a falar das boas novas ao mundo para subir em topos de pirâmides de liderança, ou mesmo para mostrarmos crescimentos exuberantes a quem quer que seja. Devemos pregar por obediência, por amor aos homens e pelo desejo de ver regressar o Messias. Da mesma forma, o adorar a Deus. A gratidão e o louvor devem ser feitos sem esperar arrepios em troca, ou sem esperar ouvir coros angelicais ou aparições sobrenaturais. Se aparecerem, louvado seja o Eterno. Mas o sobrenatural não pode tirar de mim a simplicidade e a vontade de adorar em todo tempo, até mesmo com uma simples oração.
Continuo, hoje, achando estranho, de um certo modo, que as pessoas fiquem pesquisando seus antepassados israelitas. É que não entendo por que algumas pessoas pesquisam suas origens judaicas, sem a disposição em guardar os mandamentos do Senhor conforme a Torá dada ao povo de Israel. Dessa maneira, entendo que melhor seria não investigar origens. Pois não há sentido em saber que se é judeu e continuar vivendo como um gentio.
Somos cerca de seis bilhões e meio de pessoas no mundo hoje, distribuídos em várias nações, línguas, tribos, raças e crenças. Milhares de deuses tem sido idolatrados em meio aos povos. O politeísmo tem resistido firme e, até mesmo, ressurgido através da revalorização de antigas religiões como a crença grega e seus deuses do olimpo.
Não há unidade como a do Senhor. Seu Filho Yeshua, apesar de ser a expressão exata de YHWH, não permite que se apregoe qualquer divisão na identidade de seu Pai. Pelo contrário, Ele reafirma Sua unicidade para o escriba que lhe perguntou o principal dos mandamentos:
Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Tg 2:19
radioativo sobre nós, capaz de nos destruir instantaneamente. Talvez por isso, este nosso corpo se corromperá para sermos revestidos de um corpo incorruptível em glória.
Uma diocese católica do Estado americano de Delaware entrou com pedido de falência na noite de domingo na véspera de um julgamento sobre abusos sexuais cometidos por padres.
Apesar de não ser católico, fico triste em receber esta notícia. A igreja está falindo por não conseguir disciplinar a sexualidade de seus líderes. A sensualidade do mundo tem penetrado a igreja de tal forma que os sacerdotes católicos não tem conseguido abafar os casos de pedofilia e escândalos sexuais. Se isso acontece aos sacerdotes, imagine as quantas andam os demais religiosos.
Há músicas congregacionais que simplesmente são esquecidas. Diante do turbilhão de novas músicas no “mercado”, acontece de o ministério constantemente renovar seu repertório e, com isso, esquecer de cantar alguns bons cânticos antigos. Com o tempo a música cai no esquecimento e para cantá-los novamente torna-se necessário reensiná-los à congregação. Muitas vezes, prioriza-se ensinar novos cânticos a relembrar os clássicos.

O desafio, porém, é um pouco maior. Não basta escrever tais músicas. É difícil propagá-las diante da busca frenética por músicas que falam da vitória, da prosperidade, do milagre e do avivamento. Não que o texto bíblico não fale dessas realidades, mas é preciso que desenvolvamos um repertório de músicas didáticas, imparcial e livre do viés da teologia da prosperidade contemporânea.