Família Judaica

Desde pequeno ouço meus avós e minha mãe falando: não coma carne de porco e nem peixe de couro. É remoso, diziam. Não sabíamos, eu e meus irmãos, que eles não tiraram esta recomendação de suas cabeças, mas da tora e das tradições judaicas de nossa família.

As “coincidências” não paravam por aí. Outro fato que nos chamou a atenção foi que o nome do nosso avô era Naasom. Esta escrita estava de acordo com a transliteração do nome do personagem relatado no Pentateuco e no talmud, livro de costumes judaicos, que se lançou ousadamente sobre o mar Vermelho, sob ordem de Moisés, para vê-lo abrir.

Descobrimos também que nosso avô se reunia frequentemente com a comunidade judaica de Recife e que muitos judeus falavam que ele era parte da família.

Cada vez mais fomos encontrando fortes indícios de que a nossa família procedia mesmo de origem judaica . Meu irmão, pr.Valdemir encomendou uma pesquisa e descobriu que a família Sarmento é oriunda da Espanha, de judeus sefaradi (espanhóis em hebraico) que plantavam uvas. Daí talvez venha o sobrenome, que significa ramo ligado à Videira. Da Espanha eles migraram para Portugal e de lá para terras brasileiras, no nosso caso, para o Recife, como cristãos-novos.

Porém nossa imigração foi mais recente. Meu bisavô, Perciliano Espíndola Sarmento, nasceu na Espanha e veio para o Brasil por volta do início do século XX, ainda não sabemos o por quê.

Paralelamente, o amor pelo povo de Israel, independente destes indícios, foi crescendo no seio de nossa família. Começamos a guardar o shabat, as festas e o estudo da Torá de acordo com a tradição judaica.

Desde que compreendi nossa história, sensibilizei-me com o drama do povo judeu sefaradi. Passei, então, a estudar a história desses tais cristãos novos. A inquisição que assolou a Europa fez com que muitos dos judeus fossem deixando suas terras, fugidos da intolerância religiosa. Muitos vieram para o Brasil. Forçados a se converter ao cristianismo, daí o termo cristão-novo.

Sempre ouvi histórias que nossa família tinha terras na Espanha e que tínhamos direito a elas. Bastava irmos lá reivindicar. Ninguém nunca levou essa história a sério, mas ela coincide com a história dos judeus sefaradi.

Mas mesmo debaixo dessa forte perseguição, alguns cristãos novos conseguiram guardar certas tradições pelas gerações, no nosso caso o costume de não comer carne de porco e os nomes judaicos. Foram misturando sua herança judaica ao cristianismo, e, com o tempo, esquecendo-se dos costumes de seus antepassados.

Quando decidimos, como família, resgatar as raízes de nossos antepassados, entendemos que talvez seja um caminho longo a prosseguir. Estamos cada vez mais entendo o judaísmo de nossos pais e compreendendo que ele não se contradiz com a fé em Yeshua (Jesus). Pelo contrário, ele se completa e se confirma no messias.

Independentemente do nosso retorno aos costumes de nossos antepassados, compreendemos que muito mais importante é que fazemos parte de um movimento que vem crescendo no Brasil e em todo o mundo: a restauração da Igreja do Senhor na Terra. Creio que este é o motivo de tal revelação para nossa família nestes dias. Queremos nos unir aos muitos irmãos que se empenham para dizer à Igreja que ela precisa voltar às suas origens. E suas origens não estão em outro lugar senão conectada ao povo de Israel.

Valmir Sarmento

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