Para Mudar o Mundo

02/05/2009

Por que precisamos ser cheios do Espírito de D’us?

 

Para o leitor atento do Novo Testamento a resposta é óbvia: para sermos testemunhas de Cristo tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria até os confins da Terra.

Entretanto, entendendo o contexto bíblico teremos uma verdade mais profunda.

O batismo no Espírito tem o poder de nos fazer mais do que testemunhas. Segundo o relato dos profetas, o Espírito Santo nos faria capazes de cumprir os mandamentos do Senhor.

Veja o que dizem as profecias:

Aproximam-se os dias – diz o Eterno – quando estabelecerei um novo pacto com a Casa de Israel e com a Casa de Judá. Não será como o que estabeleci com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para retirá-los do Egito, pois violaram Minha aliança, embora eu fosse seu Deus – diz o Eterno. Pois este é o pacto que farei com a Casa de Israel após aqueles dias – diz o Eterno: Farei com que internalizem minha Torá em todo o seu ser e a gravarei em seu coração; serei seu Deus e eles serão Meu povo. 

 Jeremias 31:30-32 Bíblia Hebraica

 

Dar-vos-ei também um novo coração, e vos infundirei um novo espírito, e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Porei em vós o Meu espírito, e farei com que saibais seguir Meus estatutos e cumprir Meus juízos.

Ezequiel 36:26 e 27  Bíblia Hebraica

O Espírito, portanto, viria não apenas para fazer de nós cumpridores da Torá, mas para que ela estivesse internalizada em nosso ser. Neste sentido, é válido afirmar que ao cumprir a Torá o homem deve se tornar uma testemunha do evangelho, uma vez que apregoar a mensagem de arrependimento e de busca ao Senhor aos povos da Terra pode ser entendido como um mandamento.

Sem embargos, somente quem obedece aos mandamentos é capaz de testemunhar efetivamente do Senhor ao mundo. O desobediente pode apenas falar de aspectos teóricos da bíblia, mas sem respaldo de sua vida prática. Isso significa dizer que evangelizar outros sem ter uma vida comprometida com a obediência se configura como uma banalidade, pois somente podemos dar a outros aquilo que possuímos.

O testemunho dado pelo que zela os mandamentos em sua vida é, portanto, algo arraigado em seu ser. É desnecessário, por muitas vezes, pregar com palavras. A mensagem anunciada pelo estilo de vida é mais gritante do que o volume da boca dos evangelistas.

Mas o que é ser cheio do Espírito?

Ao estudar o judaísmo da época de Yeshua (Jesus) identificamos que a religião estava impregnada de normas sobre normas. As leis estavam cobertas por outras leis criadas pela tradição dos líderes judeus. Coisas que Deus não havia ordenado. O legalismo impedia que muitos compreendessem o verdadeiro espírito das leis do Senhor. Dava-se o dízimo do coentro mas esquecia-se do amor e da misericórdia. 

O Espírito de Deus veio para que as leis estivessem escritas no coração. Ao meu ver isso significa que não apenas deve-se cumprir com zelo os mandamentos, mas deve-se fazer isso com a sensibilidade simbolizada pelo coração e principalmente com amor. Para isso é o batismo. Por isso os dons provenientes dele. Sem amor, Paulo diz, nada tem sentido.

Não apenas para apregoar foi pentecostes. Do que adianta pregar sem viver? Nada! Se assim fosse, testemunhar teria apenas o propósito de aumentar o volume do número de pessoas que criam em Yeshua. Entretanto, tudo sem mudança de vida.

O Espírito poderia ser derramado sobre a Igreja em qualquer época do ano, mas por que Deus o fez na festa de Pentecostes?

Essa é, para mim, a grande mensagem que o Eterno que nos dar em Atos 2. Pentecostes em hebraico é hag shavuot – festa das semanas. Nesta festa, Israel celebra a entrega da Torá no monte Sinai ao seu povo. Precedendo a festa os israelitas fazem a contagem do ômer, que é a leitura completa da Torá diariamente por 7 semanas após pessach (páscoa).

Ao ordenar que a Igreja ficasse em Jerusalém até a descida do Espírito em shavuot, Yeshua estava indicando que não se pode receber o poder do Espírito sem que a Palavra de Deus, mais especificadamente a Torá, esteja impregnada na mente das pessoas que querem o batismo.

Isso por que ninguém pode cumprir aquilo que não conhece. E por isso, provavelmente, o Senhor esperou que cada um dos 120 discípulos lessem diariamente a Torá por 49 dias antes que fossem revestidos com o poder do alto.

Por esta razão estavam reunidos todos os dias. Eles poderiam esperar dispersos em Jerusalém, ocupados em seus afazeres, se vendo, talvez, uma vez por semana. Mas eles fizeram conforme o costume. Estudaram a Torá e relembram-na. Celebraram-na ao estilo judaico, pois eram judeus.

Contudo, só estudar e conhecer os mandamentos não basta. É preciso cumpri-los na vida diária. E aqui faz todo sentido o que diz os profetas. O poder do Espírito vem e pega o que já estava inculcado na mente da Igreja e grava com fogo em seus corações. Que maravilha! A Palavra não deve ficar restrita apenas ao campo do conhecimento e do raciocínio. Ela deve ser vivida com poder e autoridade. Isso implica em ter certeza de que o modo como a cumprimos a Torá, baseado na vida e nos ensinamentos do Messias, é a maneira que estava desde o início no coração do Pai. Isso é suficiente para quebrar todo legalismo e vã religião.

Por isso precisamos ser cheios do Espírito Santo em nossos dias. Quando isso acontecer todos verão a diferença daqueles que apenas pregam e daqueles que realmente obedecem ao Senhor. Que venhamos investir nossos esforços para conhecer a Palavra e seus mandamentos. Então virá o Espírito e imprimirá as leis do Senhor em nossos corações, fazendo de nós verdadeiras testemunhas de que é possível cumprir os sagrados mandamentos em amor.

Valmir Sarmento

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