Para Mudar o Mundo

08/06/2009

Globalização e brasilidade na música cristã

 

por Valmir Sarmento

N7YGN9CAQ282GNCAGUORRNCAY26M3WCAHNYF5ACA6XSQ1XCA6JN176CA8Q22NYCAJ8B23LCAIU6LUWCAB2N7LJCA72TI57CAX8EYEKCA9QCBG9CA4BRZ8GCAJGKEFKCAO1ZAXRCAF97TRZCAM32PNDÉ interessante analisar os efeitos que a globalização gerou no cristianismo e nas diversas formas de produção cultural cristã no Brasil. A lógica do fluxo de informações e mercadorias do centro para a periferia segue a mesma regra das demais áreas da globalização, porém de forma mais perversa que a da sociedade secular. Enquanto que nesta o regional tem de alguma forma resistido às ondas massacrantes da cultura global, no meio cristão a cultura regional se rendeu de forma quase total, em nome de uma espiritualidade enlatada e importada. Se na economia global o Shopping Center teve que coexistir ao lado das feiras de artesanato, na realidade eclesiástica, a Teologia e Cultura do Centro devastaram as da Periferia.

O domínio do capital, entendido pela acessibilidade aos meios de produção cultural, possibilita a reprodução do pensamento teológico e do modo de espiritualidade oriundo dos centros financeiros em direção à periferia. Não é coincidência a influência da teologia da prosperidade e da musicalidade estrangeira sobre a cultura cristã brasileira.

Esse processo, quando não quebra as vozes dissonantes locais, influencia-as de maneira que se adéquem aos moldes impostos pela cultura dominante fazendo com que se aparentem mais com os moldes internacionais. Diante da oposição da cultura local à informação importada, a globalização cristã impede ou dificulta que as vozes dissonantes sejam ouvidas por terem o domínio de mercado.

É na música que este processo se torna mais visível. A lógica do mercado faz com que os lojistas de música evangélica exponham apenas o que tem demanda popular, que por sua vez é gerada diante da influência publicitária e do poder do capital.

Forma-se, assim, um ciclo que domina a produção cultural e teológica.  

No âmbito internacional é possível perceber, por exemplo, a quantidade deHFHQ2NCA8WU76XCA6F5YQVCAGH53DNCAIHE311CACGHO89CA28J4CUCA0RPKIPCA0DNAB6CAPY3OEFCA4MV746CAL70NYVCAW6TULPCATNKC7YCA9H6MV7CAKSPQ08CAQUL7ZHCA8L62V9CA4SO6NB produtos evangélicos dos centros como EUA, Inglaterra e Austrália em detrimento de demais países do mundo. Quantos ministérios de louvor da Ásia, África ou da América Andina tem influência no mercado brasileiro?

Esta é a mesma lógica que faz com que o mercado evangélico seja dominado, internamente, pela produção de centros urbanos do Centro-Sul do país. O fluxo centro-periferia se revela da mesma maneira nas diversas escalas, desde a global até a regional.

Este fluxo de informação mudou, inclusive, o formato do louvor no Brasil desde o piano dos hinos tradicionais, à inclusão da bateria na igreja. O rock, por exemplo, tido a algumas décadas como música do diabo, hoje talvez tenha se elevado ao ritmo oficial da igreja evangélica nacional.  

Enquanto exorcizou-se o rock possibilitando sua popularização entre o público religioso, a música nacional continuou sob o estigma da demonização. O samba, a bossa e o baião continuaram sendo vistos como música do mundo, sendo deixados de lado pela mídia e pelo mercado cristão.

Precisamos levantar um contra-fluxo na cultura e criar nossa identidade. Isso não significa que precisamos ser ufanistas e xenofóbicos, mas deveríamos ter uma formação balanceada. Essa, inclusive, é uma das minhas inquietações, como compositor e ministro de louvor. Não estou apenas sentindo a necessidade buscar este contra-fluxo para ir contra a ditadura da globalização, mas porque cansei da uniformidade da música cristã contemporânea. No meu entender, precisamos ventilar os nossos ritmos e os nossos temas. Precisamos repensar a nossa música e a nossa religiosidade de maneira a fazer efetiva nossa comunicação não apenas aos jovens cristãos evangélicos. Por que não fazer uma música para abençoar toda a sociedade brasileira? Que o Senhor nos dê inspiração.

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