Por Valmir Sarmento
Não consigo entender por que a gravata, que é apenas um acessório de vestuário, tem tanta importância na cultura ocidental. Em muitos órgãos públicos, incluindo o que eu trabalho, esta peça é de uso obrigatório. Talvez não haja uma lei expressa, mas ela é um costume tão forte que tem força de lei.
O argumento é de que ela é fundamental para preservar o caráter solene do ambiente de trabalho.
Mesmo assim, continuo sem entender por que um pedaço de pano é capaz de determinar o caráter solene de um órgão público.
Essa concepção não se restringe à administração pública. Ela também está presente na igreja evangélica. O uso da gravata é, praticamente, obrigatório para algumas igrejas.
Talvez este tecido seja um símbolo de respeito e santidade. Ele talvez seja como uma estola sacerdotal, impondo a representação de poderio e autoridade.
Mas por que as coisas tem que ser assim?
A Administração Pública e a Igreja poderiam entender que não é um pedaço de pano que melhorará meu desempenho no serviço, me fará ser mais ou menos solene ou ter mais ou menos santidade.
Se analisarmos bem, veremos que seu uso traz até algumas desvantagens. Citarei algumas:
1 – A gravata é ecologicamente incorreta.
É incrível como um pedaço de pano é capaz de aumentar em muito a sensação de calor e abafamento. Isso onera os gastos em ar condicionado e ventiladores, aumentando o consumo de energia elétrica.
Além disso, ela aumenta o desperdício com água e sabão, toda vez que a pasta de dente lhe causa uma mancha.
2 – A gravata é economicamente dispendiosa.
Ao aumentar gastos com energia elétrica, a administração pública e a igreja pagará mais na conta de luz. Esse aumento é repassado a toda população em forma de impostos.
3 – A gravata atrapalha a qualidade de vida.
Muitas pessoas se sentem incomodadas com um pano apertado em volta do pescoço. Basta observar que quando alguém se sente mal, a primeira coisa que faz é afrouxar a dita peça. Sua utilização pode, portanto, ocasionar mau humor, que por sua vez refletirá em um ambiente de trabalho com mais atritos.
4 – A gravata gera a idéia de que seriedade ou santidade podem ser reveladas por um pedaço de pano.
Meus sobrinhos (Júlia de 10 e Asaph de 7 anos), por exemplo, acham estranho que eu trabalhe de gravata sendo eu um tio tão brincalhão.
Apesar de sua beleza, acredito que a gravata foi projetada para a realidade cultural e climática européia. Não haveria que se falar em sua obrigatoriedade em países quentes como o Brasil.
É por isso que sou a favor da desobrigatoriedade do uso da gravata no Brasil. Tanto na Igreja, como no trabalho. Por favor, libertem minha garganta….