Para Mudar o Mundo

09/06/2009

O monopólio do café

Arquivado em: Valmir Sarmento — Valmir Sarmento @ 19:39
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Por Valmir Sarmento

 

7T3XY0CAU25HNLCAZL3F45CA11ND6WCAXF8O6FCAINO41VCAH9H89CCA5TB84OCAC2ZNSECA5E8NZBCARCKKAGCAVOZ46JCAYB9E3PCA8A2DQQCA0W9RDQCAIM47FICAAWILW9CAVAH8MSCA2VWAMLHá alguns anos tive um problema de estômago. – Pare de tomar café. Foi uma das primeiras recomendações que ouvi de minha médica. Parei. Fiquei vários meses sem tomar o dito café, resistindo firme à tentação.

Mas no órgão onde trabalho o café é abundante. Voltei a tomar. A recaída foi por falta de opção.  Tudo bem, além de ajudar nos dias de cansaço, o sabor do bichinho é bom.

O problema deste monopólio do café não está apenas na seção onde trabalho, mas em todas as seções. Aliás, em todos os órgãos e empresas onde já passei.

Uma pergunta me incomoda: por que só o café? Poderíamos variar um pouco. Uma garrafa de café ao lado de uma de leite. Um chá. Sei lá.

cafeDeve ser por causa do custo do café ser bem menor que o das demais opções. Mas pare para pensar comigo:

Apesar de seus benefícios, o consumo do café em grande quantidade pode gerar problemas estomacais, que gerarão maior gasto com tratamentos de saúde, além de aumento nas licenças médicas dos funcionários.

Investir, portanto, em outras alternativas de bebidas para uma pausinha talvez seria um bom negócio para as empresas e para a Administração Pública.

Vai um suco de caju aí?

Libertem minha garganta!

Por Valmir Sarmento

gravataNão consigo entender por que a gravata, que é apenas um acessório de vestuário, tem tanta importância na cultura ocidental. Em muitos órgãos públicos, incluindo o que eu trabalho, esta peça é de uso obrigatório. Talvez não haja uma lei expressa, mas ela é um costume tão forte que tem força de lei.

O argumento é de que ela é fundamental para preservar o caráter solene do ambiente de trabalho.

Mesmo assim, continuo sem entender por que um pedaço de pano é capaz de determinar o caráter solene de um órgão público.

Essa concepção não se restringe à administração pública. Ela também está presente na igreja evangélica. O uso da gravata é, praticamente, obrigatório para algumas igrejas.

Talvez este tecido seja um símbolo de respeito e santidade. Ele talvez seja como uma estola sacerdotal, impondo a representação de poderio e autoridade.

Mas por que as coisas tem que ser assim?

A Administração Pública e a Igreja poderiam entender que não é um pedaço de pano que melhorará meu desempenho no serviço, me fará ser mais ou menos solene ou ter mais ou menos santidade.

Se analisarmos bem, veremos que seu uso traz até algumas desvantagens. Citarei algumas:

1 – A gravata é ecologicamente incorreta.

sol            É incrível como um pedaço de pano é capaz de aumentar em muito a sensação de calor e abafamento. Isso onera os gastos em ar condicionado e ventiladores,  aumentando o consumo de energia elétrica.

            Além disso, ela aumenta o desperdício com água e sabão, toda vez que a pasta de dente lhe causa uma mancha.

2 – A gravata é economicamente dispendiosa.

            Ao aumentar gastos com energia elétrica, a administração pública e a igreja pagará mais na conta de luz. Esse aumento é repassado a toda população em forma de impostos.

3 – A gravata atrapalha a qualidade de vida.

            Muitas pessoas se sentem incomodadas com um pano apertado em volta do pescoço. Basta observar que quando alguém se sente mal, a primeira coisa que faz é afrouxar a dita peça. Sua utilização pode, portanto, ocasionar mau humor, que por sua vez refletirá em um ambiente de trabalho com mais atritos.

4 – A gravata gera a idéia de que seriedade ou santidade podem ser reveladas por um pedaço de pano.

            Meus sobrinhos (Júlia de 10 e Asaph de 7 anos), por exemplo, acham estranho que eu trabalhe de gravata sendo eu um tio tão brincalhão.

            Apesar de sua beleza, acredito que a gravata foi projetada para a realidade cultural e climática européia. Não haveria que se falar em sua obrigatoriedade em países quentes como o Brasil.

É por isso que sou a favor da desobrigatoriedade do uso da gravata no Brasil. Tanto na Igreja, como no trabalho. Por favor, libertem minha garganta….

 

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