Para Mudar o Mundo

22/06/2009

A parábola do pastor, do padre e do rabino

Por Valmir Sarmento

Andavam juntos por uma rua, em uma noite chuvosa, um pastor, um padre e um rabino. Encontraram um mendigo deitado no asfalto, moribundo, à beira da morte.

O pastor, de pronto, ofereceu ajuda. Perguntou-lhe o nome e começou a orar, pedindo a Deus que curasse o rapaz.

O padre, por sua vez, verificando que o homem não havia sido batizado, buscou água e derramou-a sobre sua testa. Em seguida lhe ministrou a extrema unção.

O padre e o pastor procuraram o rabino e não o encontraram.

Após alguns minutos, viram-no vindo ao longe, trazia uma sacola na mão. Enquanto os outros dois religiosos faziam suas cerimônias, o judeu buscava entre os transeuntes quem pudesse ajudar o moço com dinheiro.

O rabino, o padre e o pastor levaram-lhe a um hospital e, com o dinheiro, pagaram um bom tratamento de saúde e o rapaz ficou são.

 De quem foi a atitude mais sábia?

 Certamente não foi a do pastor com sua oração fervorosa, nem a do padre com sua extrema unção. Também não foi a do rabino com sua disposição em pedir contribuições para tratar o doente. Apesar de suas atitudes terem grande valor, por revelar o desejo de ajudar, há uma lição de sabedoria mais profunda.

A sabedoria dessa estória está em que os três religiosos andavam juntos. A riqueza é que cada um contribuiu de alguma forma para salvar uma vida.

No decorrer da história, estas três vertentes do monoteísmo se afastaram. Olharam para si mesmas e se intitularam donas da verdade e inquestionáveis em seus dogmas. Como autênticos representantes de Deus aos homens não podiam aceitar vozes destoantes.

A Terra está moribunda.À beira da morte. Chegou a hora de judeus, católicos e evangélicos se unirem para transformar o mundo.

Para que isso aconteça, cada um deveria deixar o orgulho de lado para aprender com o outro. Católicos e evangélicos precisam voltar às suas origens. Suas raízes estão atreladas ao povo de Israel. Somente com a ajuda dos judeus poderemos acabar com esse cisma.

E os judeus, por sua vez, precisam se abrir para um diálogo. Deus lhes chamou para ser uma benção para todas as famílias da Terra. Isso não acontecerá se não se relacionarem. Se não compartilharem suas riquezas com outros povos, guardarão as bênçãos que Deus lhes deu para si mesmos. Suas virtudes não darão frutos.

 Restauração! É disso que o mundo e a Igreja precisam. Esse é o clamor que se levanta sobre toda a Terra.

Leia também:

A Parábola do Pastor, do Padre e do Rabino (parte II)

A Parábola do Pastor, do Padre e do Rabino (parte III)

O Apóstolo e o Rabino

A carta esquecida

Joãozinho e o fim do mundo

Por Valmir Sarmento

Lembra daquela estória do Joãozinho, pequeno pastor de ovelhas, que, volta e meia, pregava uma peça aos moradores de um povoado dizendo que um lobo estava atacando o rebanho? Quando iam atender ao pedido do menino, este caia na gargalhada revelando que era tudo brincadeira. Um dia, um lobo realmente atacou o rebanho. Joãozinho correu para pedir socorro, porém ninguém acreditava mais em seus alarmes.

Alguns profetas dos finais dos tempos se tornaram como o Joãozinho. Revira e volta surgem com uma nova revelação de que Cristo voltará em um ano a eles revelado. Alguns tem visões, outros sonhos e outros se debruçam em equações matemáticas complexas para calcular o dia do fim.

Eu, por exemplo, já ouvi de tudo. Disseram que ele viria em 1997. Depois disseram que era 98. Eu, um adolescente cheio de vida e perspectivas, esperava que Jesus não voltasse tão cedo. Queria casar, ter filhos e, quem sabe, netos.

Depois eu temi que realmente aconteceria no ano 2000. Entramos no novo milênio e nada de vir o fim.

Depois já ouvi outras previsões. A última que me chegou ao ouvido foi que o Messias retornaria em 2018. Se o mundo não acabar em 2012, como previram os Maias, quem sabe?

O problema é que essa série de profecias falhas desacreditou a verdadeira mensagem bíblica na sociedade. Os homens escarnecem e zombam, mas Cristo em breve voltará. O dia e hora ninguém sabe.

As pessoas não ligam mais para esses alardes como os moradores do povoado da estória não acreditavam mais no Joãozinho. Os aldeões de hoje, porém, não perceberam que serão eles próprios os prejudicados em desacreditar nessa pregação. Deveriam ignorar as falsas profecias e ouvir a mensagem dos Joãozinhos para se precaver, preparar suas vidas para o encontro.

Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor

Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.

Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis. Mt. 24:42-44

Juventude e religião no Brasil: decepção apesar dos números

oracaoO jovem brasileiro figura entre os mais religiosos do mundo. É esse o resultado de uma pesquisa realizada pelo instituto alemão Bertelsmann Stiftung, que investigou a crença de jovens em 21 países. Na escala de religiosidade, o Brasil ficou em terceiro lugar, apenas atrás da Nigéria e da Guatemala.

A pesquisa mostrou que 95% dos jovens brasileiros, com idade entre 18 e 29 anos, se definem como religiosos. Além disso, 65% deles se dizem “profundamente religiosos”, e apenas 4% afirmaram que não possuem religião nenhuma. Na Nigéria, os que se dizem “profundamente religiosos” atingem 91%, seguido pela Guatemala, com 75%. Já os residentes do Reino Unido, Áustria e Rússia foram os que mais responderam não possuir religião, com 37%, 39% e 53%, respectivamente.

De acordo com o médico psiquiatra Frederico Leão, coordenador do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, o brasileiro sempre esteve entre os povos mais religiosos, e esse retorno às práticas religiosas pela juventude acontece devido ao período turbulento em que o mundo se encontra. “O momento histórico que vivemos, com preocupações globais, estimula as pessoas a pensarem na religião e a buscarem algo a mais.

O momento também é de consumismo exagerado, que foi seguido por uma crise global. Isso também leva as pessoas, principalmente os jovens, a se esforçarem em novas reflexões”, avalia o especialista.

Pensando em termos mundiais, o psiquiatra lembra, ainda, que entre os locais onde a religião mais se manifesta estão o Brasil e os Estados Unidos, enquanto que na Europa os sinais de religiosidade andam mais escassos. “De alguma forma os europeus se afastaram mais das religiões e das crenças, enquanto que os brasileiros se aproximaram, assim como os norte-americanos, que sempre foram bastante religiosos”, conclui.

Em outros questionamentos da pesquisa, o jovem brasileiro reafirmou as crenças pessoais. A maioria, 32%, afirmou pensar na religião frequentemente, enquanto que apenas 5% disseram nunca refletir sobre o assunto.

Fonte: Folha Universal

Ao ler esta matéria entendo a importância e urgência que temos em repensar nossa religiosidade como nação. Ela não tem mudado nosso comportamento, não tem mudado nossos hábitos e vícios. Talvez nos enganamos pensando que, se nossa maneira de entender Deus alcançasse os jovens, haveria uma verdadeira reconstrução da sociedade, uma vez que eles ainda são a maioria da população brasileira. Puro equívoco.

Somos a geração que conformou a espiritualidade com os padrões amorais e imorais do mundo moderno, adequando nossa mensagem a um hedonismo sem precedentes.Basta constatar que esta juventude brasileira declaradamente religiosa é a mesma que está envolvida na violência urbana, no aumento do consumo de drogas e na libertinagem sexual que verificamos em nossa sociedade.

Nossas músicas e nossa mensagem talvez não estejam influenciando nossos jovens de maneira a engajá-los a lutar por uma sociedade mais ética, mais moral e mais justa.

É por isso que é a hora de repensar nossos valores e conceitos. Não para estabelecer reformas ou contra-reformas religiosas, mas para que voltemos à essência da nossa fé. Essa essência está na simplicidade do Evangelho, e isso somente será possível através de uma restauração da igreja, da sociedade e do mundo.

 

Restauração já!

 

Valmir Sarmento

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