Por: Valmir Sarmento
Elas estão nas bancas de revistas, na TV, na internet, nos outdoors, nos panfletos, nos cartazes, esperando atrás da esquina. Para onde se olha, elas estão lá. A sensualidade ataca por qualquer lugar que formos ou olharmos.
Mulheres nuas, seminuas, com roupas curtinhas ou malhas coladas nos rodeiam. A mensagem que passam é que a sensualidade é um estilo de vida, do qual é impossível fugir. Viva o prazer! Esta é a sua filosofia. Não reprima seus instintos! Pode-se ler nas entrelinhas.
Em nossa sociedade há um culto pela forma. Um culto até obsessivo. Em nome dela, a forma, cirurgias plásticas, dietas e estripulias são vendidas em propagandas de massa, feiras de moda e clínicas de estéticas. Os padrões antigos de recato foram sendo trocados pela bandeira do sexo livre. A revolução sexual da segunda metade do séc. XX nos legou a tolerância com a extrema exibição da forma de padrões de beleza socialmente construídos.
Mas esse estilo de vida tem seus contrapesos.
Os homens vivem um novo tipo de relacionamento: o relâmpago, sem compromissos. O casamento se tornou uma prática obsoleta diante da vantagem de se trocar de parceiro na hora que se bem quiser. Mesmo assim ele resiste em existir no meio das celebridades, mas com curtíssima duração.
As fronteiras do prazer foram a muito transpostas. Mulheres e homens esculpidos já não bastam. Os homens que já experimentaram de tudo agora querem mais. Querem novas aventuras. Alguns partiram para as aberrações. Neste contexto a pedofilia encontrou um campo estranhamente fértil.
Vemos diariamente os casos de pedofilia aflorando nos grandes centros urbanos. Não coincidentemente, sempre em meio às provas do crime há materiais pornográficos. As pessoas, graças a Deus, ainda se revoltam e se inquietam diante desses casos.
Temo, entretanto, que chegue o dia no qual a pedofilia se torne tão comum que a sociedade não ligue mais. É possível que se torne como a pirataria. Todos sabem que é crime, mas convivemos com ela indiferentemente no cotidiano da cidade.
A sociedade agora deve responder à pergunta: o que fazer com os pedófilos? Adianta prendê-los? Claro que não.
É certo que eles devem se submeter a algum tipo de tratamento. Mas como tratá-los? Talvez precisem dos mesmos métodos dos alcoólatras, sem poder beber o primeiro gole de álcool. Só que no caso dos que se atraem pelas crianças, no mal sentido da palavra, eles deveriam evitar o primeiro contato com o sensual. Mas como fazer isso em uma sociedade que os embebeda constantemente com ataques de sensualidade? Tarefa difícil. Precisaríamos rever nossos costumes e práticas sociais. Para curar esses desdobramentos da libertinagem sexual, provavelmente seria necessário voltar aos costumes antigos. Quem sabe a solução estaria em que voltássemos aos recatos do tempo da vovó?
