Por Valmir Sarmento
Eu nasci em um monte santo e fumegante. O povo festejou meu nascimento. As pessoas me temiam e me ouviam. Foi assim por toda a minha juventude – era tratada com honra e respeito.
Os antigos me chamavam de árvore da vida. Descansava dentro de uma arca no deserto. Sempre estive ligada à presença do Eterno.
Os homens me consultavam para saber a vontade de Deus. Os profetas profetizavam de acordo com meus preceitos.
Algumas vezes fui esquecida, quando jovem. Mas quando os sacerdotes e os reis me descobriam, ouviam com grande alegria minhas palavras juntamente com todo o povo.
Ao contrário do que muitos dizem, os evangelistas e o próprio Messias respeitavam o que eu dizia. Faziam questão em explicar o que eu dizia diante dos homens.
A Igreja do primeiro século continuou me observando. Paulo, um dos apóstolos, dizia que eu era inspirada por Deus e apta para ensinar, corrigir e instruir em sabedoria. Havia até alguns povos, como os bereanos, que, ao ouvir as mensagens dos pregadores, verificavam se eu concordava com o que eles falavam.
Porém, com o tempo, as pessoas começaram a ensinar que eu deveria ficar relegada ao povo de Israel. E assim fui tratada, como coisa de judeu.
Ironicamente, continuei sendo consultada pelos gentios. Curioso. Eles entendiam meus ensinos de acordo com suas interpretações e seus interesses.
Trataram de me ignorar. Apenas algumas de minhas palavras continuaram sendo ouvidas. Outras não. Principalmente quando me refiro às bênçãos dos homens que escutavam as minhas palavras. Quando me refiro aos mandamentos, pré-requisitos para alcançar tais bem-aventuranças, os homens me ignoram. Obedecem-me quanto ao dízimo, mas me desobedecem quanto a qual dia sagrado observar. Obedecem-me quanto não adulterar, mas me desobedecem quanto às imagens de escultura. Não entendo.
Mas algo está chamando a minha atenção. Mais recentemente, alguns homens perceberam que eu não fui abolida. Despertaram para minha importância. Perceberam que os que nasceram depois de mim não me substituíram. Este grupo está crescendo.
Se fosse uma pessoa, talvez sentisse orgulho pois estou voltando a ser importante. Entretanto, sou um livro. Fui ditada pelo próprio Deus a Moisés. Eu sou a Torá. Meu nome significa instrução. Meus ensinos não foram abolidos. Minha lei continua vigorando.
Se as pessoas me ouvirem como nos tempos antigos, sei que a Glória do
Eterno virá. Foi assim na construção do templo e na festa de pentecostes quando desceu o Espírito de Deus.
Fui projetada para restaurar o homem e a própria natureza. Por isso estou ansiosa. Aguardo o dia em que a humanidade me ouça para que tragamos a restauração de todas as coisas.