
Por Valmir Sarmento
Personagens de terror sempre chamaram a atenção das pessoas.
Isso por que os homens, apesar de todo o medo, são atraídos pelo desconhecido, pelo mundo das aberrações e do sobrenatural. Filmes que falam de fantasmas, lobisomens, vampiros e dráculas, por exemplo, fizeram, e continuam fazendo, grande sucesso de bilheteria.
Esse universo fantasmagórico não está restrito ao cinema. Pode-se assistir em canais de TV especializados em documentários, como o Discovery Channel, séries que abordam o tema dos espíritos, de aparições sobrenaturais e de pessoas ditas sensitivas, que podem se comunicar com os espectros. Além disso, há vasto material sobre o assunto acessível na internet.
A igreja evangélica se apoderou do tema. Toda espécie de acontecimento sobrenatural é facilmente considerada, no meio evangélico, como manifestação demoníaca. Outra resposta a este problema, comumente defendida pelos mais tradicionais, está no poder da mente humana, atribuindo tais fenômenos à imaginação das pessoas mais sugestionáveis. Mas será que, nessa matéria, tudo é culpa ou do diabo ou da mente humana? A grande maioria dos cristãos diz, categoricamente, que sim.
CULTO-SHOW DE LIBERTAÇÃO
Longe dessa discussão, verifico que se tornou uma prática dos evangélicos modernos utilizarem esse poder de atração humana para o sobrenatural como técnica de marketing e evangelismo. Criaram-se os cultos de libertação e exorcismo, que se tornaram verdadeiros eventos-show. Nessas reuniões, as assombrações e encostos são descobertos diante de todos. Orixás, caboclos e guias manifestam-se como demônios. Então começa a luta espiritual.
Alguns pastores comandam os demônios, fazendo-os ajoelhar, levantar, andar ou declarar que “só Jesus Cristo é o Senhor”. Por vezes, inicia-se um diálogo com o espírito: “como você entrou aí?”, “qual trabalho você recebeu”, ou “você gosta que os crentes fiquem em casa, ao invés de ir para a igreja?”. Geralmente, acredita-se que quanto mais teimoso for o demo, mais poderoso ele é. Mas após 5 ou 10 minutos de oração de poder da congregação, eles não resistem e cedem.
A submissão e as respostas dos demônios “fortalecem a fé” de muitas pessoas, segundo muitos líderes evangélicos. Uma massa de pessoas saem dessas reuniões crendo que toda sorte de males provem do diabo e que, agora que estão “livres”, nenhuma desgraça pode lhes acontecer. Se tornaram um tipo de super-homens.
Jesus, entretanto, não utilizou tal técnica. Não por que ele não tenha expulsado demônios em público, expulsou-os. Mas o Messias nunca demonstrou qualquer tipo de batalha espiritual em seus exorcismos. Nem, ainda, deu a menor ênfase aos demônios em seu ministério. Ele ensinou apenas como ser livre:
E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Jo 8. 32
Essa verdade declarada em João é a Palavra de Deus. A mesma Palavra que, cada vez mais, muitas das igrejas especializadas em libertação insistem em não conhecer a fundo. Com base nas Escrituras podemos deduzir que expulsar demônios apenas não é libertação. Libertar é fazer com que a Igreja conheça a Palavra. E se há algo que a Igreja atual precisa urgentemente é de Libertação! E isso só é possível CONHECENDO A PALAVRA DE DEUS.