Para Mudar o Mundo

15/10/2009

Por um Louvor Didático em nossos dias

Por Valmir Sarmento

A fé não vem por ouvir uma bela melodia, recheada por uma profunda e emotiva mensagem poética. A menos que traga em sua letra a Palavra de D’us, a música apenas é capaz de gerar bons (ou maus, dependendo da música) sentimentos. Não há outro caminho para gerar fé genuína nas pessoas, se não através da Palavra. Em uma geração que está cada vez mais valorizando interpretações equivocadas da Palavra e que necessita urgentemente de restauração, essa é uma necessidade gritante: entoar canções que restaurem na mente das pessoas o texto das sagradas escrituras.

Entendendo-se fé genuína no seu contexto judaico, amalgama sócio-cultural na qual a bíblia foi escrita, entenderemos um sentido diferente daquele amplamente divulgado pelo senso comum religioso de nossa época. Fé, em hebraico emuná, tem o sentido de fidelidade ao Senhor. O termo não está relacionado com essa força de vontade mental positiva em acreditar em que meus problemas vão sumir, como vemos por aí, mas em permanecer fiel ao Senhor e a seus mandamentos.

E se pararmos para pensar, obedecer a Deus, em meio ao mundo em que vivemos, restringindo-se em atos, pensamentos e palavras que O desagradam já é um sinal claro de que acreditamos no Senhor que nos deu a sua Lei. Somente a bíblia é capaz de nos ensinar os caminhos aos quais devemos ser fiéis. Por isso, a fé vem pelo ouvir da Palavra de Deus.

Há um instrumento muito eficaz neste sentido: a música. Quem dera os compositores brasileiros entendessem melhor essa realidade. Não há nada que a igreja precise mais em nossos dias do que cantar a Palavra. Esse é meu desafio como compositor e oro para que seja o mesmo dos meus colegas espalhados por este país.

O desafio, porém, é um pouco maior. Não basta escrever tais músicas. É difícil propagá-las diante da busca frenética por músicas que falam da vitória, da prosperidade, do milagre e do avivamento. Não que o texto bíblico não fale dessas realidades, mas é preciso que desenvolvamos um repertório de músicas didáticas, imparcial e livre do viés da teologia da prosperidade contemporânea.

Taí um bom nome para um movimento saudável que gostaria de ver se levantar no Brasil e no mundo (como sempre gostamos de nomes para os modismos que nos aparecem como louvor isso, adoração aquilo e por aí vai.): Louvor e Adoração com cânticos didáticos. Aliás, nada mais conveniente, já que hoje estamos comemorando o dia do professor.

Nosso povo precisa aprender de bíblia. Ela anda muito esquecida nas gavetas de muitos dos nossos músicos artistas e pastores estrelas atualmente. Pergunte para um adolescente da sua igreja se sabe de cor João 3:16 e poderá conferir o que estou falando. Todos já estão carecas de saber que vai chover, que o milagre já chegou e que tomo posse da promessa. Mas precisamos mesmo é de cantar a Palavra, que gera a fé genuína, que independe se vencemos ou perdemos, ou se o milagre aconteceu ou não. Somente assim se levará o povo a crescer e desenvolver seu conhecimento no Senhor. Somente assim retiraremos a igreja brasileira das falácias das falsas doutrinas. Somente assim veremos a restauração da igreja em nossos dias.

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