
Por Valmir Sarmento
Nós brasileiros temos mania de festa. Transformamos tudo em uma comemoração semelhante aos gritos de uma torcida de futebol. Cerimônias formais se transformaram, nestas terras, em um verdadeiro show de entretenimento. Formaturas, casamentos e até mesmo funerais estão cada vez mais se adequando aos moldes de uma reunião que valoriza os padrões da informalidade e da espontaneidade.
Acostumamo-nos a isso.
A informalidade e o entretenimento chegaram até mesmo aos serviços religiosos. O culto e a missa se modificaram com o tempo, e estão cada vez mais “legais”. Todo esforço é valido para esse fim. Modernizaram os instrumentos, o coral foi alterado ou abolido, as músicas ganharam ritmos atuais, os temas das pregações foram se assemelhando aos discursos psicológicos modernos e a liturgia do culto foi se assemelhando aos shows de auditório dos programas de TV.
Os estilos clássicos foram sendo reformulados. Músicas antigas receberam uma “nova roupagem”. O velho ficou com jeito de novo. Tudo para agradar ao público jovem, maioria da população brasileira, e com vistas ao crescimento eclesiástico.
Neste contexto, vamos nos esquecendo de conviver com o arcaico tal como ele é, sem querer adequá-lo ao nosso “modus vivendi” da cultura pós-moderna. Essa nossa cultura, aliás, detesta o velho. Estamos cada vez mais atrás do que é novo. Pessoas correm atrás de conservar a juventude a qualquer custo. Idosos são esquecidos nos asilos e deixados para trás nas paradas de ônibus.
O problema é que não há muita novidade no Evangelho. A boa nova de Jesus tem apenas 2000 aninhos de idade. Claro que as misericórdias do Senhor se renovam a cada dia, mas não há muita inovação no modo de viver a vida em Cristo. Ser velho para Deus não é sinônimo de ser ruim.
Será que ainda há lugar, ao menos, em nossas igrejas para o antigo?
Precisamos retornar aos caminhos antigos. Isso significa redescobrir valores essenciais esquecidos por nossa geração, como honrar os mais idosos, ouvi-los, respeitar alguns costumes esquecidos e resgatar um louvor no qual jovens e anciãos podem celebrar juntos.
Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele. Jeremias 6:16