
Por Valmir Sarmento
Participo do ministério de louvor da minha igreja há 16 anos (…é que eu comecei muito cedo, rs). O que muito me chamou atenção em todos estes anos é como nossos cânticos são extremamente rotativos. Cada vez mais novas músicas entram em nossos repertórios, mas rapidamente caem no esquecimento. Algumas duram anos, outras, meses, outras apenas algumas semanas, e ainda, há aquelas que cantamos uma única vez.
Como ministro de louvor, reconheço que eu mesmo já ensinei músicas para a congregação que nunca voltei a cantá-las. Eu tenho meus motivos. Passo a explicitá-los:
Há músicas que não são congregacionais¹. E há algumas músicas que apenas cantando com a igreja é que se percebe sua “incongregacionalidade”. Isso é muito comum com músicas com tons difíceis, cuja amplitude da região vocálica seja de difícil acompanhamento pelas vozes da congregação. Percebi várias vezes que, por mais que force a congregação a acompanhar uma música, pode ser que ela não venha a ser cantada em coro em máxima potência pela igreja apenas por causa da mecânica da composição da música, envolvendo critérios como tonalidade, ritmo e melodia.
Há músicas congregacionais que simplesmente são esquecidas. Diante do turbilhão de novas músicas no “mercado”, acontece de o ministério constantemente renovar seu repertório e, com isso, esquecer de cantar alguns bons cânticos antigos. Com o tempo a música cai no esquecimento e para cantá-los novamente torna-se necessário reensiná-los à congregação. Muitas vezes, prioriza-se ensinar novos cânticos a relembrar os clássicos.
Há músicas cuja mensagem não combina mais com o entendimento doutrinário da comunidade. É preciso observar as mensagens cantadas em nossas igrejas e sua teologia. Com os anos, fomos crescendo no entendimento da palavra e isso fez com que eu mesmo entendesse algumas músicas como inadequadas doutrinariamente. Entendo que o ministro de louvor é uma dos principais responsáveis por adequar seu repertório, não somente à teologia de sua igreja, como também ao seu próprio entendimento bíblico, evitando cantar realidade com as quais não concorda. Diante da dúvida, é bom consultar a opinião de seu pastor.
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1 – O fato de não ser congregacional não significa que a música seja ruim. Muitas músicas não congregacionais são belas e trazem profundas mensagens bíblicas. O fato de considerá-las próprias ou impróprias para a congregação está na facilidade com que a congregação consegue acompanhá-la em coro.