
Por Valmir Sarmento
“15 horas de oração pelo milagre financeiro” – uma sensação estranha bate em meu peito quando leio esse convite em um outdoor diariamente no caminho para o trabalho. Sinto que estou nos limites da minha tolerância diante das práticas do contexto religioso de nossa época.
Estou certo de que a regular elevação do pensamento aos céus faz bem para a alma e para o espírito. Orar é uma atitude nobre e deve ser valorizada e praticada em família, com amigos e sozinho. Mas expor a oração como um produto mercantil tal qual ofertas de TV, carros ou roupas é absurdo.
Primeiramente, porque a oração deveria ser um costume livre de alardes. Essa foi a crítica de Yeshua a muitos dos religiosos de sua época. Eles ficavam em pé nas sinagogas e nas esquinas a fim de serem vistos pelos homens. Transportando essa lição para nossos dias, seria possível dizer: eles colocam a oração como uma exposição em faixas, cartazes e demais meios de comunicação a fim de serem vistos pela sociedade.
Em segundo lugar, estamos utilizando a oração para valorizar o egoísmo. Buscamos a NOSSA vitória financeira e esquecemos-nos dos pobres e miseráveis que estão ao nosso redor, mendigando nas ruas e precisando de ajuda. Deveríamos deixar de olhar mais para nós mesmos e focar o outro. Deveríamos deixar o PEDIR de lado para AGRADECER as misericórdias que D’us nos tem dado. Uma das maiores lições do evangelho é amar o próximo como a si mesmo, mas parece que temos aprendido diferente: amar a mim mesmo e depois ao próximo. Isso só será possível de deixarmos de lado a concepção de que o necessitado só está sofrendo porque pecou ou só alcançará a sua remissão financeira se aprender a ofertar e orar pelo seu próprio milagre. Ou seja, a felicidade do pobre não depende de mim, apenas dele próprio.
Além disso, quem disse que vitória financeira se alcança só orando? Quem se deixar levar pela preguiça não comerá dos frutos da sua falta de trabalho? Talvez poderíamos ajudar as pessoas que estão passando necessidade por não ter coragem de enfrentar a labuta ensinando-as os princípios bíblicos do trabalho e da disposição para arar a terra. Mas nós preferimos trocar 15 horas ensinando esses princípios, com cursos profissionalizantes, com palestras sobre empreendedorismo e com multirões em busca de postos de trabalho, por um período de valorização de uma espiritualidade que se finda em si mesma.
E o pior é que colocamos essa espiritualidade mágica como cartão de visitas diante da sociedade. Trocamos a mensagem bíblica e genuína por fórmulas instantâneas para mudança de vida. “15 horas de oração” passa a idéia de que D’us gosta de ser um GRANDE PEIXE. Em um concurso, Ele privilegiaria o que mais orou em detrimento do que mais estudou. Obviamente Ele não costuma agir assim.
Enfim, “15 horas de oração pelo milagre financeiro” resume bem a mentalidade deturpada e deturpadora de um evangelho que vem proliferando e alcançando o Brasil infelizmente. Para mim, já passou da hora de revermos nossos conceitos da nossa insana mentalidade religiosa contemporânea.
05/04/2011 at 17:19
Graça e paz,
Sinto o mesmo que vc falou, sempre fica em mim, o que fazer e como fazer. Te confesso as vezes, não quero ir, em nenhuma congregação, mais ficar em casa não resolve, o que eu sinto. Vamos orar pra esta causo. Deus Abenços.
21/07/2010 at 0:48
Misericórdia, Graça e Paz de Deus o Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.
Sabe, irmão Valmir, às vezes me dá um angústia, uma tristeza tão grande na minha alma, quando vejo esse tipo de coisa…
Esse nosso tempo é tão imbecilizado – espiritualmente falando. O Evangelho, que tem um poder tão extraordinariamente contagiante, tão bonito, tão puro, tão diferente, de repente virou um produto de um comércio barato, ganancioso, vil, inescrupuloso e escandalosamente obstinado, que mancha a honra do Senhor Deus Altíssimo, suja o nome de Jesus Bendito, escarnece e despreza a cruz, serve de palco para o deus deste século.
Tornou-se cansativo ir aos cultos (que já deveriam se chamar reuniões de negócios gospel). Tornou-se enfadonho ouvir pregações porque os tais ministros deturpam as palavras da Bíblia e sufocam todo o bem que Ela poderia provocar nas pessoas para que sua cegueira espiritual dirija as mensagens segundo seus próprios interesses.
Ninguém mais faz convite a outrem para ir à igreja com o interesse que Jesus lhe alcance e lhe salve, mas com o interesse que este aumente o número de súditos do reino que ele mesmo fundou aqui na terra dentro do Reino de Deus.
Onde está o Deus Criador e Senhor de tudo nas “ministrações” (que, diga-se de passagem, têm substituído a exposição clara da Palavra de Deus)? O antropocentrismo tomou conta e fizeram do Senhor que pode salvar nossas almas do inferno (causa que, de tão nobre, custou-Lhe a prória vida santa), um mero serviçal a serviço de todas as nossas determinações e desejos, por mais fúteis e desonrosos que sejam.
Tem sido angustiante ouvir “louvores” (para homens, obviamente), porque mais massageiam o ego de quem ouve do que adoram a Deus…
E se eu for ficar falando tudo o que está me entristecendo em relação à igreja (igreja?) de hoje, é perigoso que minha alma entre numa depressão profunda e nunca mais saia de lá, tamanho será o trauma nela causado por aquilo que deveria salvá-la.
Sei que a culpa não é do Senhor. Isso é bíblico. Ele previu que seria assim e por vezes nos preveniu que seriam tempos difíceis demais para os que quisessem permanecer na santificação. Peço a Ele todos os dias mais da Sua graça para conseguir caminhar até o fim no propósito da santidade a que Ele chamou Seus fiéis sobre a terra.
E é isso que ainda consola meu coração despedaçado: saber que ainda existem remanescentes e que eu estou lutando para permanescer como um deles.
Foi para isso que Jesus nos chamou. Foi por causa disso que Ele morreu. Foi para honrar isso que Ele ressuscitou. E será em nome disso que Ele voltará.
Ansiosos aguardamos, e na contramão de tudo caminhamos… pela Graça… por pura Graça!
Maranata! Vem com Glória, Senhor Jesus!
No amor dEle, a nossa vitória eterna.
Elaine Cândida