Para Mudar o Mundo

01/07/2009

2008: O Brasil (seria) outro!

 

Em obediência à Palavra de Deus que afirma que devemos julgar as profecias, quero fazer uma modesta análise dessa afirmação profética que correu os meios evangélicos há alguns anos – “EM 2008 O BRASIL SERÁ OUTRO!”

A profecia é comumente entendida, no meio cristão, como desejos de boa sorte. Outros também a confundem com a visão e meta da igreja, como as de uma empresa qualquer (por exemplo: 2009 o ano da conquista sem limites). Há os que a confundem com uma vidência ou adivinhação. Porém esses não são os aspectos que caracterizam a verdadeira profecia com base na bíblia.

Verificamos na Palavra que os profetas utilizavam suas mensagens para alertar o povo a guardar os mandamentos do Senhor. Se não se arrependessem ele previam quais seriam as assolações e maldições que lhes alcançariam.

Os ditos proféticos não eram uma sentença determinante. Para que a profecia se realizasse, dependia da postura do que a recebia. Nínive, por exemplo, não foi destruída devido ao seu arrependimento. Portanto, se houvesse obediência, haveria benção. Se não, a maldição prosperaria.

Infelizmente, 2008 passou. O Brasil não mudou. A economia foi abalada. Várias demissões ocorreram como conseqüência da crise financeira internacional. No aspecto espiritual, a nação continua sob a prática idólatra dos crentes que levam flores para casa para espantar os maus espíritos. A pedofilia e a prostituição reinam nas casas. O brasileiro continua cultuando suas imagens e suas divindades. E a política continua em um emaranhado de relações corruptas de atos secretos.

Entendo que torcer pela mudança do Brasil é uma coisa muito boa. Mas palavras de desejo de sorte não bastam.

Para quem quer ver um outro Brasil é preciso sair às ruas. É preciso lutar pelos carentes, pelas viúvas, pelos órfãos, pela justiça social, pelo fim da corrupção.

A profecia deve se ater aos preceitos da fórmula bíblica. Eu proporia colocarmos esta palavra profética de outra forma:

SE O BRASIL SE ARREPENDER E GUARDAR OS MANDAMENTOS, ELE QUEBRARÁ SUAS MALDIÇÕES E SE TORNARÁ EM OUTRA NAÇÃO. MAS SE FOR DURO DE CORAÇÃO, NÃO HAVERÁ BENÇÃO, A MALDIÇÃO ALCANÇARÁ A VIDA DESTA NAÇÃO.

 

Com temor e respeito,

Valmir Sarmento

22/06/2009

Joãozinho e o fim do mundo

Por Valmir Sarmento

Lembra daquela estória do Joãozinho, pequeno pastor de ovelhas, que, volta e meia, pregava uma peça aos moradores de um povoado dizendo que um lobo estava atacando o rebanho? Quando iam atender ao pedido do menino, este caia na gargalhada revelando que era tudo brincadeira. Um dia, um lobo realmente atacou o rebanho. Joãozinho correu para pedir socorro, porém ninguém acreditava mais em seus alarmes.

Alguns profetas dos finais dos tempos se tornaram como o Joãozinho. Revira e volta surgem com uma nova revelação de que Cristo voltará em um ano a eles revelado. Alguns tem visões, outros sonhos e outros se debruçam em equações matemáticas complexas para calcular o dia do fim.

Eu, por exemplo, já ouvi de tudo. Disseram que ele viria em 1997. Depois disseram que era 98. Eu, um adolescente cheio de vida e perspectivas, esperava que Jesus não voltasse tão cedo. Queria casar, ter filhos e, quem sabe, netos.

Depois eu temi que realmente aconteceria no ano 2000. Entramos no novo milênio e nada de vir o fim.

Depois já ouvi outras previsões. A última que me chegou ao ouvido foi que o Messias retornaria em 2018. Se o mundo não acabar em 2012, como previram os Maias, quem sabe?

O problema é que essa série de profecias falhas desacreditou a verdadeira mensagem bíblica na sociedade. Os homens escarnecem e zombam, mas Cristo em breve voltará. O dia e hora ninguém sabe.

As pessoas não ligam mais para esses alardes como os moradores do povoado da estória não acreditavam mais no Joãozinho. Os aldeões de hoje, porém, não perceberam que serão eles próprios os prejudicados em desacreditar nessa pregação. Deveriam ignorar as falsas profecias e ouvir a mensagem dos Joãozinhos para se precaver, preparar suas vidas para o encontro.

Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor

Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.

Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis. Mt. 24:42-44

20/05/2009

O Velho Testamento é o culpado pela Teologia da Prosperidade?

Por Valmir Sarmento

Já ouvi muitas críticas a respeito de uma suposta correlação feita pelas doutrinas atuais com a Velha Aliança. Dizem que os pregadores da “teologia” da prosperidade querem voltar ao Antigo Testamento para justificar suas doutrinas.
Se fosse verdade, seria bom.
O evangelho propagado Brasil afora seria mais justo. Ensinaria o povo a lutar pelas causas sociais. Os órfãos e as viúvas não seriam esquecidos. Os ricos iriam ajudar os pobres, os jovens iriam honrar os mais velhos, os crentes seriam menos alienantes e mais engajados em batalhar para transformar a realidade social.
Mas o evangelho da prosperidade não se baseia nos fundamentos da Lei como seus opositores afirmam.
A pregação triunfalista utiliza aquilo que quer de toda a bíblia, como quem escolhe as melhores frutas em uma banca de feira. Um texto aqui outro acolá. A riqueza material dos patriarcas de Israel aparece ao lado do poderio do Rei David e de Salomão, seu filho, somando a trechos dos evangelhos e das cartas paulinas, tudo para embasar os conceitos distorcidos da dita vitória espiritual sem limites.
Creio que estes devaneios doutrinários acontecem por falta de raízes. Perdeu-se as origens da Igreja Protestante. A Reforma talvez tratou de cortar de vez com o restinho de laços com as primeiras doutrinas e partindo dela cada um foi incentivado a construir seu credo em cima da própria leitura das escrituras.
E é essa construção desregrada que vem acontecendo da Reforma ao século XXI. Os católicos podem ter outros defeitos, mas não exageram na pregação da prosperidade financeira e no apelo para a prática de dízimos e ofertas.
Culpar o Velho Testamento por esses descaminhos é uma injustiça. Muitos o culpam sem nem sequer conhecê-lo. Ele, aliás, não é a parte da bíblia costumeiramente mais utilizada para o estudo das escrituras pelos crentes modernos.
A culpa é muito mais de tentar adequar a bíblia ao “modus vivendi” da sociedade atual. É abolir o que a Palavra diz em detrimento de outras palavras.

02/05/2009

Por que precisamos ser cheios do Espírito de D’us?

 

Para o leitor atento do Novo Testamento a resposta é óbvia: para sermos testemunhas de Cristo tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria até os confins da Terra.

Entretanto, entendendo o contexto bíblico teremos uma verdade mais profunda.

O batismo no Espírito tem o poder de nos fazer mais do que testemunhas. Segundo o relato dos profetas, o Espírito Santo nos faria capazes de cumprir os mandamentos do Senhor.

Veja o que dizem as profecias:

Aproximam-se os dias – diz o Eterno – quando estabelecerei um novo pacto com a Casa de Israel e com a Casa de Judá. Não será como o que estabeleci com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para retirá-los do Egito, pois violaram Minha aliança, embora eu fosse seu Deus – diz o Eterno. Pois este é o pacto que farei com a Casa de Israel após aqueles dias – diz o Eterno: Farei com que internalizem minha Torá em todo o seu ser e a gravarei em seu coração; serei seu Deus e eles serão Meu povo. 

 Jeremias 31:30-32 Bíblia Hebraica

 

Dar-vos-ei também um novo coração, e vos infundirei um novo espírito, e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Porei em vós o Meu espírito, e farei com que saibais seguir Meus estatutos e cumprir Meus juízos.

Ezequiel 36:26 e 27  Bíblia Hebraica

O Espírito, portanto, viria não apenas para fazer de nós cumpridores da Torá, mas para que ela estivesse internalizada em nosso ser. Neste sentido, é válido afirmar que ao cumprir a Torá o homem deve se tornar uma testemunha do evangelho, uma vez que apregoar a mensagem de arrependimento e de busca ao Senhor aos povos da Terra pode ser entendido como um mandamento.

Sem embargos, somente quem obedece aos mandamentos é capaz de testemunhar efetivamente do Senhor ao mundo. O desobediente pode apenas falar de aspectos teóricos da bíblia, mas sem respaldo de sua vida prática. Isso significa dizer que evangelizar outros sem ter uma vida comprometida com a obediência se configura como uma banalidade, pois somente podemos dar a outros aquilo que possuímos.

O testemunho dado pelo que zela os mandamentos em sua vida é, portanto, algo arraigado em seu ser. É desnecessário, por muitas vezes, pregar com palavras. A mensagem anunciada pelo estilo de vida é mais gritante do que o volume da boca dos evangelistas.

Mas o que é ser cheio do Espírito?

Ao estudar o judaísmo da época de Yeshua (Jesus) identificamos que a religião estava impregnada de normas sobre normas. As leis estavam cobertas por outras leis criadas pela tradição dos líderes judeus. Coisas que Deus não havia ordenado. O legalismo impedia que muitos compreendessem o verdadeiro espírito das leis do Senhor. Dava-se o dízimo do coentro mas esquecia-se do amor e da misericórdia. 

O Espírito de Deus veio para que as leis estivessem escritas no coração. Ao meu ver isso significa que não apenas deve-se cumprir com zelo os mandamentos, mas deve-se fazer isso com a sensibilidade simbolizada pelo coração e principalmente com amor. Para isso é o batismo. Por isso os dons provenientes dele. Sem amor, Paulo diz, nada tem sentido.

Não apenas para apregoar foi pentecostes. Do que adianta pregar sem viver? Nada! Se assim fosse, testemunhar teria apenas o propósito de aumentar o volume do número de pessoas que criam em Yeshua. Entretanto, tudo sem mudança de vida.

O Espírito poderia ser derramado sobre a Igreja em qualquer época do ano, mas por que Deus o fez na festa de Pentecostes?

Essa é, para mim, a grande mensagem que o Eterno que nos dar em Atos 2. Pentecostes em hebraico é hag shavuot – festa das semanas. Nesta festa, Israel celebra a entrega da Torá no monte Sinai ao seu povo. Precedendo a festa os israelitas fazem a contagem do ômer, que é a leitura completa da Torá diariamente por 7 semanas após pessach (páscoa).

Ao ordenar que a Igreja ficasse em Jerusalém até a descida do Espírito em shavuot, Yeshua estava indicando que não se pode receber o poder do Espírito sem que a Palavra de Deus, mais especificadamente a Torá, esteja impregnada na mente das pessoas que querem o batismo.

Isso por que ninguém pode cumprir aquilo que não conhece. E por isso, provavelmente, o Senhor esperou que cada um dos 120 discípulos lessem diariamente a Torá por 49 dias antes que fossem revestidos com o poder do alto.

Por esta razão estavam reunidos todos os dias. Eles poderiam esperar dispersos em Jerusalém, ocupados em seus afazeres, se vendo, talvez, uma vez por semana. Mas eles fizeram conforme o costume. Estudaram a Torá e relembram-na. Celebraram-na ao estilo judaico, pois eram judeus.

Contudo, só estudar e conhecer os mandamentos não basta. É preciso cumpri-los na vida diária. E aqui faz todo sentido o que diz os profetas. O poder do Espírito vem e pega o que já estava inculcado na mente da Igreja e grava com fogo em seus corações. Que maravilha! A Palavra não deve ficar restrita apenas ao campo do conhecimento e do raciocínio. Ela deve ser vivida com poder e autoridade. Isso implica em ter certeza de que o modo como a cumprimos a Torá, baseado na vida e nos ensinamentos do Messias, é a maneira que estava desde o início no coração do Pai. Isso é suficiente para quebrar todo legalismo e vã religião.

Por isso precisamos ser cheios do Espírito Santo em nossos dias. Quando isso acontecer todos verão a diferença daqueles que apenas pregam e daqueles que realmente obedecem ao Senhor. Que venhamos investir nossos esforços para conhecer a Palavra e seus mandamentos. Então virá o Espírito e imprimirá as leis do Senhor em nossos corações, fazendo de nós verdadeiras testemunhas de que é possível cumprir os sagrados mandamentos em amor.

Valmir Sarmento

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