Para Mudar o Mundo

05/11/2009

Fábrica de milagres na TV

 

Por Valmir Sarmento

Basta dar uma olhada nos canais de TV no final da noite e eles estarão lá. Os “programas de auditório” evangélicos com filas de pessoas, com exames e fotos na mão, querendo contar seus testemunhos de milagres. Pessoas que receberam cura de câncer, AIDS, diabetes, enfim, as doenças mais diversas que se pode imaginar. Horas e mais horas de programação dando ênfase nas curas divinas e no poder da fé para alcançar o sobrenatural.

Estamos vivendo uma época de inversões de valores e até mesmo essa enxurrada de prodígios não faz com que essa lógica seja diferente.

O problema é que estamos valorizando o apagar do incêndio e esquecendo do projeto de D’us para prevenção da saúde do homem. O Eterno o criou para viver plenamente e para que as doenças não o alcancem.

Esta afirmativa é comprovada pelas sagradas escrituras:

E o Senhor desviará de ti toda enfermidade; não porá sobre ti nenhuma das más doenças dos egípcios, que bem conheces; no entanto as porás sobre todos os que te odiarem. Dt. 7:15

Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão (…) O Senhor te ferirá com a tísica e com a febre, com a inflamação, com o calor forte, com a seca, com crestamento e com ferrugem, que te perseguirão até que pereças Dt. 28:15 e 22

O projeto de D’us é muito mais que curar as pessoas de suas enfermidades. Seu desejo é que as pessoas endireitem suas veredas a fim de que as moléstias não alcancem aqueles que obedecem seus mandamentos.

Entretanto, contar que a praga veio, quase destruiu a pessoa e, após a oração forte, foi embora chama mais atenção do que apenas dizer que através da obediência se evitou adquirir certas enfermidades. Imagine como seria se as pessoas fizessem filas para contar que não ficaram doentes simplesmente pelo fato de observar os mandamentos da Palavra. Mas o drama do tipo padrão novela mexicana, da senhora que sofreu com uma enfermidade, encontrou a verdade através da pregação do homem de Deus e foi curada dá mais IBOPE.

Primeiramente, porque obedecer mandamentos e regras está meio fora de moda. Para nossa sociedade, o homem é inteligente o suficiente para decidir seus caminhos e planejar seu sucesso. Ele deve avaliar o que deve ou não fazer. Deve evitar praticar aquilo que sentir que é errado e procurar ter atitudes apenas que o que o façam sentir bem.

Segundo, porque a obediência à Lei do Senhor não é um fator de libertação tão impactante, publicitariamente falando, quanto uma oração forte, na qual os demônios saem correndo e o chão “treme”.

Dessa forma, o “apagar de incêndios” acaba sendo mais vantajoso do que investir em um ensino profundo e sério das escrituras na TV.

O Brasil poderia aprender que, para receber a cura, ninguém precisa correr atrás de homens famosos, viajando quilômetros para receber um clamor fervoroso de cura. As pessoas poderiam ser ensinadas que quem perdoa sara sua alma. Quem honra os pais tem mais longevidade. Quem respeita os idosos ganha sabedoria. Quem não se prostitui poupa seu corpo das DST’s. Quem observa o shabat recebe alívio de suas fadigas. Quem se disciplina conforme os estatutos alimentares da bíblia ganha em saúde. Quem celebra as festas bíblicas tem uma grande proteção contra a depressão. Quem cuida de seu corpo (templo do Espírito) com exercícios físicos e comendo corretamente tem muito mais qualidade de vida.

Mas os líderes religiosos brasileiros parecem preferir que as pragas se acumulem para utilizar a oração como escape, a fim de gerar uma cura extraoridinária para os males ocasionados pelo próprio modo de vida errado das pessoas. Há de se enfatizar que nem todas as pessoas que peregrinam atrás dos “milagreiros” encontram a cura desejada e as que recebem possivelmente continuarão nas mesmas práticas acreditando que, quando a doença voltar, é só ter fé e orar.

O ciclo está formado: práticas não saudáveis levam às doenças. Estas levam a pessoa a correr atrás de um “grande homem de Deus” que ore com poder para que a cure. A cura dá a sensação de que agora se está bem com Deus, e continua-se no mesmo estilo de vida equivocado.

Para quebrar o ciclo, somente a Palavra do D’us de Israel, que nunca mudou, é eficaz.  Somente obedecendo-O pode-se alcançar a benção verdadeira, capaz de gerar e preservar a vida.

Pelo que o Senhor nos ordenou que observássemos todos estes estatutos, que temêssemos o Senhor nosso Deus, para o nosso bem em todo o tempo, a fim de que ele nos preservasse em vida, assim como hoje se vê. Dt.6:24

03/11/2009

Líderes de êxito e adoradores extravagantes desbotados

 

Por Valmir Sarmento

Os últimos 10 anos da história da igreja evangélica brasileira foram muito importantes para nos ensinar lições valiosas.

Observamos surgir o movimento celular G 12 e sua palavra desafiadora em ganhar, consolidar, treinar e enviar os crentes para alcançar pessoas para Cristo. Fomos impactados com palavras de grandes líderes afirmando que todos poderiam se tornar grandes conquistadores. Todos poderiam se tornar um dos 12, dos 144 ou dos 1728. Os crentes que apenas freqüentavam os cultos semanais foram “cutucados” e encorajados a ter discípulos, a abrir sua célula e se tornar um evangelista ousado. A preparação destes conquistadores era simples: participar da escola de líderes, que só era permitido aos que passavam pelo “Encontro com Deus”.

O Encontro era um retiro no qual o participante passava três dias ouvindo palestras e refletindo sobre sua vida. Após o início do boom de surgimento e crescimento de células e da realização dos encontros, o evangelismo se tornou o grande foco desse grupo de igrejas que compraram a idéia do G12.

Algum tempo depois, surgiu outro mover. Um movimento voltado para o louvor. Era a adoração extravagante que nos motivava a cantar, pular e gritar não mais de acordo com comandos de um líder, mas conforme o que sentíamos no espírito. Muitos ficavam de costa para o povo e de frente para a parede, cantando e deixando-se levar por um ambiente musical, envolto com o shofar, com palavras e atos proféticos, que não tinham hora para acabar. A maior parte das igrejas que adotaram o G12 vestiu a camisa da adoração extravagante.

Muitos irmãos “velhos de guerra” misturados aos novos convertidos viveram intensamente estes dois momentos. Trabalharam pesado em favor das células e foram  influenciados pelo movimento chamado de adoração extravagante.

Hoje, se analisarmos os resultados alcançados nesses dez anos, perceberemos que muitos dos chamados líderes de êxito e adoradores extravagantes estão, hoje, desviados. Ganharam inúmeras pessoas para Cristo e chegaram ao santíssimo lugar de adoração, mas perderam suas próprias vidas.

O problema, talvez, esteja no desejo, tanto por parte dos que entram na igreja quanto por parte dos líderes, de que as pessoas amadureçam, cresçam e se tornem espirituais em um processo acelerado, no qual o novo convertido pode em pouco tempo tornar-se um expoente na vida espiritual, podendo exercer certa liderança. As experiências sobrenaturais da adoração poderiam servir para dar legalidade a esse crescimento espiritual instantâneo.

É saudável que um neófito busque seu crescimento espiritual. No entanto, acelerar o processo com base em seu desempenho evangelístico e no grau de experiências com os aspectos sobrenaturais da adoração pode deformar seu caráter podendo levá-lo a desenvolver posturas insustentáveis ou mesmo a aparências sem fundamento no cotidiano de uma vida adestrada nas Escrituras. Por isso, um neo-convertido é aconselhado a não desenvolver liderança na Igreja, segundo Paulo.

Talvez tenhamos nos esquecido de alguns princípios da Palavra de Deus, em nome da propagação daquilo que temos como “a visão de Deus para os nossos dias”. Além de colocar neófitos em posição de liderança, cobramos os “ingressos” para que as pessoas participassem dos “encontros”, negligenciando o “de graça recebestes, de graça dai”. Preocupamo-nos em não quebrar a cadeia de autoridade, mas nos esquecemos que essa submissão vai até o limite da submissão ao Senhor. Alguns se tornaram tão submissos à liderança que se desviaram juntamente com seus discipuladores.

Quando nos voltamos para o modo de vida estabelecido pela Palavra, não há muita novidade nas estratégias básicas para um discipulado bíblico sério e eficaz. Talvez os inexperientes esperassem que uma nova ”visão” lhes dariam uma maneira inovadora de agradar a Deus e de servi-lO. Cedo ou tarde descobriram a rotina da religião.

oracao1O evangelizar deve ser conseqüência do “antigo” modo de vida estabelecido na Palavra. Não podemos nos motivar a falar das boas novas ao mundo para subir em topos de pirâmides de liderança, ou mesmo para mostrarmos crescimentos exuberantes a quem quer que seja. Devemos pregar por obediência, por amor aos homens e pelo desejo de ver regressar o Messias. Da mesma forma, o adorar a Deus. A gratidão e o louvor devem ser feitos sem esperar arrepios em troca, ou sem esperar ouvir coros angelicais ou aparições sobrenaturais. Se aparecerem, louvado seja o Eterno. Mas o sobrenatural não pode tirar de mim a simplicidade e a vontade de adorar em todo tempo, até mesmo com uma simples oração.

O viver diário em obediência, talvez até sem grandes expectativas, é uma necessidade urgente da igreja do nosso século. A surpresa que podemos descobrir é que a simplicidade e a humildade de um “Pai nosso” diário podem revelar riquezas profundas. Pode, inclusive, adestrar melhor que os efeitos de um mega espetáculo religioso semanal. O extraordinário talvez emocione e motive, mas a obediência se aprende apenas pelo viver diário focado na submissão e no serviço a Deus e aos irmãos.

21/08/2009

Não é regra de fé?

 

Por Valmir Sarmento

Ontem à noite, estava ouvindo uma mensagem na rádio evangélica, quando ouvi um líder de renome ensinar que o Velho Testamento é importante, serve como estudo devocional, mas não deve ser considerado como regra de fé para os cristãos. Isso porque a torah, segundo ele, era uma sentença condenatória e sem misericórdia enquanto o Novo Testamento seria uma carta de redenção e compaixão.

Assusta-me o fato de uma das principais lideranças evangélicas da atualidade defender essa tese.

Se o tanach (como os judeus chamam o velho testamento) não deve ser regra de fé para os cristãos, então eles não devem considerar a criação da Terra por Deus como regra de fé. Não deve considerar também o pecado de Adão e Eva, o chamado de Abraão, a abertura do Mar Vermelho e outros muitos acontecimentos narrados na Antiga Aliança como fatos dignos de credibilidade.

Se o que o líder queria dizer era que as regras de conduta descritas no tanach não são mais válidas, então os cristãos não devem considerar leis como “não adulterarás”, ou as de não invocação de mortos válidas para nossos dias. O evangélico não deve também observar a lei do dízimo, que foi instituído no Velho Testamento. Além disso, para agravar o debate, o evangélico não precisaria respeitar a lei de não fazer imagens de escultura, estando, portanto, correta a postura da Igreja Católica Apostólica Romana, com a qual o seguimento religioso do referido líder rompeu relações institucionais no século XV. Não haveria sentido, assim, ser evangélico, sequer protestante. Não haveria problema também em se ter práticas de necromancia e astrologia.

Os apóstolos do primeiro século não pregavam ser o Velho Testamento inapropriado para a fé dos crentes da Nova Aliança. Eis o que diz Paulo:

Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; 2Tm 3:16

E mais:

De sorte que a é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Rm. 10:17

Paulo ensina que a Escritura é vital para o discípulo de Jesus. Essa Escritura não é outra senão o tanach. Não havia Novo Testamento no primeiro século -  pelo menos não na forma que temos hoje.

O Velho Testamento, segundo o apóstolo, é capaz de gerar fé, além de ser proveitosa para instruir na justiça.

É, portanto, lamentável que muitos cristãos considerem o Velho Testamento um livro apenas para reflexões e meditações. Por essa causa, a igreja evangélica tem perdido inúmeras riquezas escondidas nos velhos escritos.

16/08/2009

Vai entender…

festanaigreja

13/08/2009

OBSERVATÓRIO MUSICAL: Deus Sara Esta Nação – Comunidade de Nilópolis

 

Deus Sara Esta Nação

Comunidade de Nilópolis

Deus sara esta nação
Com o teu poder
Com o óleo da tua unção!

Um dia, Deus olhou para esta nação
E por ela se apaixonou
De uma forma especial
Colocou sobre ela a sua mão
Derramando a sua unção
Liberando o seu poder
Deus sara esta nação
Com o teu poder
Com o óleo da tua unção!

Um dia, Deus olhou para esta nação
E por ela se apaixonou
De uma forma especial
Colocou sobre ela a sua mão
Derramando a sua unção
Liberando o seu poder

Por Valmir Sarmento 

Há somente uma nação escolhida por Deus sobre a face da Terra: Israel. Não há qualquer base bíblica para afirmar que a nação brasileira é nação eleita pelo Senhor. O Brasil é tão escolhido pelo Senhor, quanto a Argentina, o Paraguai ou Luxemburgo. Creio que assim como Deus não faz distinção de pessoas, também não prefere uma nação à outra.

Agora, o fato de o Senhor ter escolhido a Israel não significa que esta nação seja melhor do que as outras. Deus a escolheu para servir às demais. Ele a chamou como sacerdote por amor de todo o mundo. As outras nações são amadas pelo Senhor. Por elas ele chamou Abraão e enviou seu filho.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Jo 3:16

Não significa, também, que não há promessas de Deus para o Brasil. Sim há, como também a qualquer nação da Terra.

Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu para sua herança. Sl. 33:12 

Desconfio que essa moda de proclamar que o Brasil é a nação escolhida pelo Senhor é mais uma faceta da teologia da substituição, que ensina que a dispensação do povo judeu foi revogada, estando nós agora sob outra, na qual há um novo Israel de Deus: a Igreja.

Entretanto, de acordo com a Palavra, devemos divergir deste entendimento.

Assim diz o Senhor, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o Senhor dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o Senhor, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim disse o Senhor: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o Senhor. Jr. 31:35 a 37 

12/08/2009

Dicas para um crescimento sem limites – Uma crítica às técnicas utilizadas na fundação e crescimento de igrejas modernas

Por Valmir Sarmento

1 – Arranje um lugar grande, um galpão ou mesmo uma praça pública para fazer a sua reunião inaugural;

2 – Propague pela cidade que haverá uma grande concentração de fé (culto tá meio batido), onde haverá milagres e sinais sobrenaturais – utilize cartazes, folders, carro de som, meninos andando de bicicleta com um megafone, vale o que sua criatividade optar;

3 – Descole uma rapazeada para falar como você, além de fazer cara de fé quando você estiver falando ou orando. Eles deverão ficar em pé para colocar ordem nas coisas;

4 – Faça uma reunião “pegando quente”, explique que contigo é tudo ou nada. Você vai orar e “vai ter que acontecer”. Pode até falar assim: “ou isso aqui funciona, ou vamos todos embora pra casa”.

5 – Desafie o povo a trazer uma oferta na próxima reunião. Quem não tem dinheiro deve procurar alguma coisa para conseguir a oferta. Pode fazer bolo e vender na parada, pode engraxar sapato, vigiar carro, lavar roupa pra fora…

6 – Na próxima reunião, pegue os testemunhos somente de quem conseguiu algum dinheiro. Quem não conseguiu nada deve ficar calado.

Pronto! Você virou um pregador cercado de muitas testemunhas. Só falta dar nome à sua nova igreja.

Se não der certo, vamos fechar esse blog e ir para casa!

***

Não quero ser um incrédulo e arrogante dos milagres de Deus, sei que Ele é poderoso e misericordioso para operar onde menos imaginamos, mas creio que é minha obrigação como justo na Terra, avaliar as atitudes dos religiosos desta geração, julgar tudo e reter o que é bom.

Penso que toda oração, campanha ou corrente oferece aos seus participantes 50% de chance de mudar sua vida: receber ou não o que se busca. Essa chance aumenta se o problema for falta de dinheiro e a pessoa batalhar para mudar sua situação. Ou mesmo, se o doente começar a mudar seu estilo de vida, adotando hábitos saudáveis, como parar de fumar.

Agora, em uma multidão é pouco provável que não haja, após uma corrente que dura semanas, pessoas que melhorem algo em suas vidas. Apesar de haver também as que irão piorar.

O problema é que, ao colher o testemunho, não se pega essa amostra dos que não receberam o que pediam ao Senhor. Somente os que obtiveram resultados interessantes podem falar.(O correto seria que se desse a oportunidade para um grupo aleatório de pessoas para ver quantas receberam o milagre). Isso gera uma visão distorcida da realidade. Faz pensar que todos os membros daquela igreja são abençoados e que tudo em suas dá certo, o que nem se aproxima da verdade.

Por isso, acho muito tendenciosos esses testemunhos que vemos na televisão. Talvez, para cada um deles, outros, Deus sabe quantos, não receberam cura ou prosperidade para testemunhar. Mas continuam lá, perseverantes, e mudos, esperando o dia de sua vitória.

Está aí o problema. Milhares de pessoas entram na igreja e constroem uma vida de fé baseada nesses “alicerces”. Diante do primeiro problema, entram em crise. E quando a corrente de oração não resolve, muitos desmoronam na fé.

Mas, creio que chegou a hora de formamos nossas vidas nos verdadeiros alicerces. Ainda que não vejamos milagres, estaremos fortalecidos. A Palavra é a base firme para nossos pés. Um espírito quebrantado e disposto a obedecer é o segredo para enfrentar as situações da vida.

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.” Mt.7:24-27 

05/08/2009

Seus problemas acabaram!!! O evangelho do Século XXI.

Por Valmir Sarmento

Essa é a mensagem que muito tem se difundido por aí atualmente. Se você aceitou a Jesus, se tornou membro frequente da igreja e está em dia com suas obrigações financeiras eclesiásticas, você encontrou a verdadeira felicidade e verá em breve sua vida dando uma virada radical para melhor.

Outro dia, vi uma propaganda na TV que me chamou a atenção. Uma pessoa aparecia com um cartaz na mão escrito: “tinha depressão”. Então ela virava o cartaz e estava escrito “agora sou alegre” (pensei que seria uma propaganda de clínica psiquiátrica). Depois outra aparecia dizendo: “tinha uma dívida de 200 mil reais”, no outro lado da placa estava a frase: “hoje sou empresária e tenho casa própria”. (não! Deve ser comercial de alguma financeira ou lotérica). Após várias pessoas aparecerem na tela, uma menina trazia um cartaz na mão dizendo: “bem-vindo à nossa igreja”.

Fico imaginando Paulo surgindo na sequência do comercial: “Era um líder influente e próspero”, viraria o cartaz e apareceria “depois que aceitei Jesus, fui perseguido, ultrajado, perdi minha influência como rabino, passei por muitas dificuldades, fui preso, passei inclusive fome”. Ou Pedro: “vivia tranquilo como pescador e deixei tudo para seguir Jesus, depois fui perseguido e morri crucificado de cabeça para baixo”.

O que quero dizer é que os que aceitam a Jesus (no sentido de acreditar em suas Palavras, permanecer e obedecer seus mandamentos) não ficarão automaticamente livres de seus problemas. Creio em milagres, mas se eles não acontecerem, é bom que o crente saiba que por mais difícil que esteja a vida é preciso louvar ao Senhor e continuar em seus caminhos.  A vida abundante prometida por Jesus em João 10:10 não está necessariamente atrelada a enriquecimento material. Significa muito mais que em qualquer situação da vida, poder-se-á encontrar nele forças, renovo e coragem para continuar a caminhada.

Como diz Paulo:

“Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”. Fil. 4:12 e 13

03/08/2009

OBSERVATÓRIO MUSICAL: Vai dar tudo certo – Valdecir Aguiar

Vai dar tudo certo

Valdecir Aguiar

Se a gente colocar
Nossa fé em ação
E confiarmos, e orarmos a Deus
Deus ouve e responde e dá tudo certo

Vai dar tudo certo, Vai dar tudo certo
Se a gente colocar a nossa fé em ação vai dar tudo certo

Sei que a vida não é, só de momentos bons
E há tempos difíceis a vida e mesmo assim
Mas se a gente colocar a nossa fé em ação
Vai dar tudo certo

Já deu tudo certo, já deu tudo certo
Porque a gente colocou a nossa fé em ação e deu tudo certo

 

Por Valmir Sarmento

Colocar a fé em ação é algo muito relativo. Uma pessoa que arrisca seus bens em um cassino ou um jovem que deixa a sua casa para viver a vida desregrada pelo mundo afora podem estar colocando a fé em ação. Então será que basta colocar a fé em ação e confiar para alcançar a benção de Deus? É claro que não.

O interessante dessa música é que ela pretende revelar o “segredo” para que nossa vida “dê certo”, mas não fala dos requisitos descritos na bíblia. Veja o que diz as Escrituras:

 

E SERÁ que, se ouvires a voz do Senhor teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus. Dt. 28:1e2

E ainda:

Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão… Dt. 28:15

 

A igreja evangélica esta cheia de gente que está “comprando” a idéia de que Deus me abençoará se eu colocar a fé em ação, confiar e orar. Esse povo poderia entrar na justiça para reclamar quando não receber o pacote que comprou – aliás, Deus não tem nada a ver com isso. O Senhor diz em Sua Palavra que sua benção seguirá apenas os que guardam os mandamentos do Senhor. Não adianta os que adulteram ou desonram seus pais, por exemplo, reivindicarem quaisquer bênçãos. Podem colocar a fé em ação, confiar e orar, mas se não guardarem a Lei do Eterno (Temo que nessa condição esteja a própria igreja evangélica brasileira contemporânea), estarão sob maldição e não serão os crentes com seu “pensamento positivo” que vai mudar isso.

Precisamos mudar nossa mentalidade e nossa pregação. Basta de mensagens superficiais e com mensagens de auto-ajuda, o que os homens precisam é da Palavra de Deus em sua integralidade.

Que vejamos a igreja atual voltando à Palavra e aos princípios da Igreja do 1º século.

RESTAURAÇÃO JÁ!

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29/07/2009

Show de terror

''Freddy vs. Jason vs. Ash'' -- a match made in hell? | 163657__FREDDY_VS_JASON_l

Por Valmir Sarmento

Personagens de terror sempre chamaram a atenção das pessoas.

Isso por que os homens, apesar de todo o medo, são atraídos pelo desconhecido, pelo mundo das aberrações e do sobrenatural. Filmes que falam de fantasmas, lobisomens, vampiros e dráculas, por exemplo, fizeram, e continuam fazendo, grande sucesso de bilheteria.

Esse universo fantasmagórico não está restrito ao cinema. Pode-se assistir em canais de TV especializados em documentários, como o Discovery Channel, séries que abordam o tema dos espíritos, de aparições sobrenaturais e de pessoas ditas sensitivas, que podem se comunicar com os espectros. Além disso, há vasto material sobre o assunto acessível na internet.

A igreja evangélica se apoderou do tema. Toda espécie de acontecimento sobrenatural é facilmente considerada, no meio evangélico, como manifestação demoníaca. Outra resposta a este problema, comumente defendida pelos mais tradicionais, está no poder da mente humana, atribuindo tais fenômenos à imaginação das pessoas mais sugestionáveis. Mas será que, nessa matéria, tudo é culpa ou do diabo ou da mente humana? A grande maioria dos cristãos diz, categoricamente, que sim.

CULTO-SHOW DE LIBERTAÇÃO

Longe dessa discussão, verifico que se tornou uma prática dos evangélicos modernos utilizarem esse poder de atração humana para o sobrenatural como técnica de marketing e evangelismo. Criaram-se os cultos de libertação e exorcismo, que se tornaram verdadeiros eventos-show. Nessas reuniões, as assombrações e encostos são descobertos diante de todos. Orixás, caboclos e guias manifestam-se como demônios. Então começa a luta espiritual.

Alguns pastores comandam os demônios, fazendo-os ajoelhar, levantar, andar ou declarar que “só Jesus Cristo é o Senhor”. Por vezes, inicia-se um diálogo com o espírito: “como você entrou aí?”, “qual trabalho você recebeu”, ou “você gosta que os crentes fiquem em casa, ao invés de ir para a igreja?”. Geralmente, acredita-se que quanto mais teimoso for o demo, mais poderoso ele é. Mas após 5 ou 10 minutos de oração de poder da congregação, eles não resistem e cedem.

A submissão e as respostas dos demônios “fortalecem a fé” de muitas pessoas, segundo muitos líderes evangélicos. Uma massa de pessoas saem dessas reuniões crendo que toda sorte de males provem do diabo e que, agora que estão “livres”, nenhuma desgraça pode lhes acontecer. Se tornaram um tipo de super-homens.

Jesus, entretanto, não utilizou tal técnica. Não por que ele não tenha expulsado demônios em público, expulsou-os. Mas o Messias nunca demonstrou qualquer tipo de batalha espiritual em seus exorcismos. Nem, ainda, deu a menor ênfase aos demônios em seu ministério. Ele ensinou apenas como ser livre:

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Jo 8. 32

Essa verdade declarada em João é a Palavra de Deus. A mesma Palavra que, cada vez mais, muitas das igrejas especializadas em libertação insistem em não conhecer a fundo. Com base nas Escrituras podemos deduzir que expulsar demônios apenas não é libertação. Libertar é fazer com que a Igreja conheça a Palavra. E se há algo que a Igreja atual precisa urgentemente é de Libertação! E isso só é possível CONHECENDO A PALAVRA DE DEUS.

24/07/2009

Por um Genuíno Avivamento

por Valmir Samento

Desde minha infância, ouço a respeito da importância de um avivamento em nossa nação. Já se fez muita oração, muito clamor, vigília, jejum e todo possível para que tal avivamento acontecesse.

Houve uma época que se dizia que o Brasil estava sob avivamento. Havia uma onda de batismo no Espírito e muitos milagres estavam acontecendo.

Mas será que o que caracteriza um avivamento é a presença de grandes milagres em nosso meio? Acredito que não.

Milagres acontecem por toda a parte. Em todas as religiões elas estão presentes. Com exceção dos relatos de charlatões, que acredito ser a minoria, os milagres e seus testemunhos são reais e inquestionáveis. Surgem de onde menos se espera: nos presídios, hospitais, manicômios, igrejas, centros e nas aldeias indígenas.

HaShem at Mt SinaiAvivamento tem tudo a ver com obediência aos mandamentos. Um show pirotécnico não gera, necessariamente, obediência à Palavra. Foi o que aconteceu com os israelitas no deserto. Logo após terem visto o monte Sinai fumegando, com relâmpagos, trovões, nuvens densas e fumaça, construíram um bezerro de ouro para o adorar.

Entretanto, o avivamento de pentecostes teve dimensões bem mais abrangentes. Seu avivamento abrangeu todas as dimensões da vida do homem. Não houve apenas curas e milagres. Houve ousadia e intrepidez, não apenas para pregar o evangelho, mas para lutar em favor da justiça social.

Estou orando por um avivamento, tal qual ao dos irmãos do 1º século. Não para ver coisas grandes e sobrenaturais acontecendo diante dos meus olhos, como quem vê um espetáculo à sua frente. Antes para ver os maiores milagres da humanidade: o fim da miséria, da fome, da injustiça e da falta de dignidade humana.

Mas talvez estejamos longe de que isso aconteça. Enquanto o propósito da busca de avivamento for crescimento de igrejas “particulares” ou para alimentar a competição entre denominações ou escolas doutrinárias, o que teremos é puro engano. Avivamento sem obediência é apenas show. Por mais que haja milagres tremendos não será nem uma gota da chuva que Deus pode gerar em nossos dias.

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